Rachid poderia ser o presidente do Corinthians se o TJ-SC confirmar condenação de Janikian

A anulação da condenação criminal de Sérgio Janikian pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), na última sexta-feira (30), poderá permitir que o candidato reverta a impugnação de sua candidatura à presidência do Corinthians.
Seja pelas vias internas ou pela Justiça.
A instabilidade, porém, permanecerá.
Caso Janikian vença as eleições de 28 de novembro e, no exercício da presidência, volte a ser condenado por órgão judicial colegiado — o julgamento anulado será realizado novamente —, poderá ficar legalmente impedido de continuar no cargo.
Isso porque o artigo 65 da Lei Geral do Esporte estabelece restrições ao exercício de funções de direção em organizações esportivas para pessoas consideradas inelegíveis pela legislação eleitoral.
Nas hipóteses legais aplicáveis, basta uma condenação colegiada válida, sem necessidade de trânsito em julgado.
O eventual afastamento abriria caminho para a ascensão do primeiro vice-presidente, Antonio Rachid.
É justamente essa possibilidade que preocupa associados e torcedores.
Rachid é um antigo operador político de Paulo Garcia, empresário e proprietário da Kalunga, empresa investigada, que mantém influência nos bastidores do Corinthians há várias administrações.
Seu histórico é marcado por denúncias graves.
Em 2018, um áudio divulgado pelo Blog do Paulinho expôs um suposto esquema de pagamento de mensalidades de associados para favorecer a candidatura de Paulo Garcia à presidência.
Na prática, uma denúncia de compra de votos.
O caso chegou à Comissão de Ética do Corinthians, mas não resultou em punição.
Rachid também foi apontado como participante de um suposto esquema de comercialização de vagas vitalícias no Conselho Deliberativo durante a gestão de Alberto Dualib.
O clube conhece os efeitos de uma sucessão presidencial traumática.
Augusto Melo foi afastado em 2025 e substituído pelo então primeiro vice-presidente, Osmar Stabile.
Diante dos antecedentes atribuídos a Rachid, do poder político de Paulo Garcia e da indefinição judicial envolvendo Janikian, o cenário representa uma temeridade que os eleitores corinthianos não deveriam ignorar.

