Corinthians bate recorde de transfer ban ‘educativo’

O Corinthians completou, ontem (19), 151 dias sob transfer ban da FIFA, superando o recorde anterior de 150 dias, registrado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.
A punição decorre de uma dívida de aproximadamente R$ 7,5 milhões com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação de José Martínez.
Há ainda outras duas sanções: uma relacionada ao Midtjylland, da Dinamarca, por um débito de cerca de R$ 6 milhões pela aquisição de Charles, e outra, aplicada pela CNRD, da CBF, por inadimplência de aproximadamente R$ 8 milhões em um acordo de renegociação de dívidas.
No total, são cerca de R$ 21,5 milhões em pendências.
Em eleições recentes, um candidato foi ridicularizado por não saber do que se tratava um transfer ban.
Os dois últimos presidentes demonstraram ser especialistas no assunto.
Para as finanças do Corinthians, porém, a punição talvez tenha sido uma das melhores coisas que aconteceram nos últimos anos.
Não por resolver os problemas financeiros, mas por impedir que os cartolas continuassem agravando-os.
Historicamente, as diretorias corinthianas encontram nas contratações milionárias uma maneira de vender ilusões aos torcedores, alimentar relações com empresários e empurrar obrigações financeiras para seus sucessores.
Jogadores chegam por valores incompatíveis com a realidade do clube, recebem salários elevados, não entregam o desempenho esperado e, quando deixam o Parque São Jorge, ainda carregam consigo dívidas, ações judiciais e comissões pendentes.
O transfer ban interrompeu, ao menos parcialmente, essa engrenagem.
Sem poder registrar reforços, os dirigentes ficaram impedidos de cometer novas loucuras no mercado.
Ainda assim, Osmar Stabile renovou o contrato de Memphis Depay, um ex-jogador em atividade, curtindo férias remuneradas no Brasil.
A punição também escancarou outro problema estrutural: o fracasso das categorias de base.
O Corinthians investiu fortunas, durante anos, no futebol de formação, sustentando estruturas, dirigentes, intermediários e uma quantidade expressiva de jovens atletas.
Mas onde estão os jogadores capazes de suprir, com qualidade, as necessidades da equipe principal?
Um clube com a dimensão do Corinthians deveria conseguir revelar, regularmente, atletas preparados para disputar posições no elenco profissional.
A realidade, porém, é outra.
Mesmo gastando milhões em salários, o Corinthians segue atolado na luta contra o rebaixamento, sem que suas categorias de base consigam oferecer soluções à altura das necessidades do elenco.
O transfer ban, portanto, não criou a crise corinthiana.
Apenas impediu que ela fosse agravada por novas contratações e deixou ainda mais evidente a incompetência de quem administra o clube.

