O xeque-mate de Lula no debate da BAND

O debate da Band entrará para a história como revelador da diferença de comportamento entre o bolsonarismo e o mundo civilizado.
Enquanto o marginal Flávio Bolsonaro, preocupado e orientado a não responder aos questionamentos sobre seus delitos, desviava o foco para ofender e tentar desestabilizar o adversário por intermédio de mentiras e grosserias, Lula, procurando não se deixar arrastar para a lama, buscava apresentar ao público suas realizações.
O presidente escorregou apenas no primeiro bloco, quando, por alguns minutos, insistiu em responder às provocações — mas como se preparar adequadamente para esse tipo de baixaria? —, porém, na sequência, impôs-se com fatos, coragem e uma história de vida política inigualável.
Comportando-se como se estivesse em um ambiente de quinta série, emendando frases feitas e desrespeitos, sendo admoestado pelos apresentadores somente ao final — e, ainda assim, desrespeitando-os também —, Bolsonarinho levou um contragolpe mortal.
Tratado indevidamente como “ladrão” o tempo todo — mantra de seus inimigos — por um adversário cercado de casos notórios de corrupção e ligações com milicianos, Lula emendou:
“Te desafio, você e eu, amanhã, a abrirmos nossas contas bancárias e nosso sigilo telefônico, para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão.”
“Eu abro o da minha família inteira e você abre o da sua família.”
Flávio Bolsonaro, até o momento, não topou o desafio.
Um xeque-mate que acabou por definir os lugares de ambos na política nacional.
Estadista, Lula é o mais relevante presidente da América Latina, o maior do Brasil e um dos melhores do mundo em todos os tempos.
Bolsonarinho, por sua vez, representa o que há de pior na sociedade: um político cercado de corrupção, questionado por suas ligações com personagens associados às milícias e subserviente a um pai de alma imunda, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, com trajetória política reunindo alguns dos episódios mais vergonhosos da história brasileira.

