Novo treinador do Corinthians seria sócio oculto da agência que o intermediou

A contratação de Clarence Seedorf pelo Corinthians foi intermediada pela OTB Sports, agência dos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb, envolvidos, em 2018, numa controvérsia com o Athletico-PR justamente por uma tentativa de levar o holandês ao clube paranaense.

Na ocasião, Mario Celso Petraglia, dirigente do Athletico, acusou Bruno Paiva de exigir uma “exorbitante comissão pela intermediação”, inviabilizando o negócio.

A acusação foi divulgada oficialmente pelo clube e amplamente repercutida pela imprensa.

Oito anos depois, a mesma agência levou Seedorf ao Corinthians.

Segundo comunicado da própria empresa, a indicação foi apresentada ao executivo Marcelo Paz na sexta-feira (9), e o acordo foi concluído em apenas dois dias.

O holandês assinou contrato até dezembro de 2027.


Marcelo Goldfarb e Seedorf (2018)

Seedorf não é apenas mais um cliente da OTB

Oficialmente, Seedorf é representado pela OTB há aproximadamente 13 anos, tendo atuado também como embaixador da agência, inclusive na divulgação de negócios envolvendo outros atletas.

Nos bastidores, circula a informação de que seria sócio da empresa e, consequentemente, teria participação nos lucros dos negócios.

O conflito de interesses na contratação pelo Corinthians é evidente.

A OTB foi fundada por Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb, empresário ligado à família fundadora das Lojas Marisa e responsável pela MG Corporation, holding que participa da estrutura societária da agência.

Em julho de 2024, a empresa esteve envolvida numa tentativa de negociar a transformação do Corinthians em SAF, por meio de investidores liderados por Goldfarb.

Bruno Paiva, filho do ex-jogador Mario Sérgio, que treinou o Corinthians quando a gestão do futebol era oficialmente conduzida por Fran Papaiordanou e Romeu Tuma Junior, teria procurado o clube e, sem obter resposta, chegado ao empresário Igor Zveibrucker, personagem ligado às articulações políticas durante a presidência de Augusto Melo, embora não ocupasse cargo oficial na agremiação.

Em 2025, Paiva voltou a abordar publicamente a possibilidade de aquisição do futebol alvinegro.

A OTB, portanto, não é uma agência recém-chegada ao Parque São Jorge.

Seus empresários já demonstraram interesse em participar do controle econômico do Corinthians e mantêm negócios com jogadores do elenco.

Entre eles estão André Carrillo e Kayke.

O goleiro Hugo Souza também foi anunciado como cliente da empresa em maio de 2025, numa apresentação que contou justamente com a participação de Seedorf.

Em fevereiro de 2026, a OTB confirmou ter encaminhado ao Corinthians uma proposta do Besiktas pelo goleiro.

A agência, portanto, acumula relações comerciais com atletas do clube e, agora, também com o treinador responsável por comandá-los.


Contratação tecnicamente injustificável

Campeão de quatro edições da Liga dos Campeões da Europa, Seedorf foi um dos grandes meio-campistas de sua geração.

Como treinador, porém, seu currículo é bastante diferente.

No Milan, em 2014, comandou apenas 22 partidas, com 11 vitórias, dois empates e nove derrotas.

Acabou dispensado.

No Shenzhen FC, da segunda divisão chinesa, em 2016, foram 13 jogos, três vitórias, quatro empates e seis derrotas.

Em 2018, assumiu o Deportivo La Coruña, da Espanha, onde acumulou apenas duas vitórias em 16 partidas.

O clube foi rebaixado.

Depois, comandou a seleção de Camarões, com quatro vitórias, cinco empates e três derrotas em 12 jogos, deixando o cargo após a eliminação nas oitavas de final da Copa Africana de Nações de 2019.

Desde então, não treinou outra equipe.

São sete anos afastado da função.

No total, segundo levantamento divulgado pela imprensa, Seedorf acumula apenas 63 partidas como treinador, com 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas.

Aproveitamento de 40,7% dos pontos disputados.

Ou seja: o Corinthians, mergulhado em dívidas e ameaçado de rebaixamento, contratou um treinador que, além de estar afastado do mercado desde 2019, apresenta mais derrotas do que vitórias no currículo.

E que já fracassou justamente na tentativa de evitar o rebaixamento de uma equipe espanhola.

Diante desse histórico, é difícil encontrar justificativa técnica convincente para a contratação.

A escolha, somada às antigas relações comerciais entre Seedorf, a OTB e personagens ligados ao Corinthians, reforça a necessidade de esclarecer quem participou das negociações, quais comissões foram estabelecidas e se existem interesses econômicos além dos esportivos.

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