O mundo paralelo do Corinthians

Enrolado até a medula em investigações policiais e ações judiciais, devendo as calças e com a possibilidade de ampliar ainda mais a dívida por conta do terceiro mês de atraso no pagamento de acordo firmado com o Fisco, o Corinthians vive uma realidade paralela no Parque São Jorge.
Uma espécie de país das maravilhas.
Embora talvez mais próximo de Münchhausen, personagem célebre da literatura pela capacidade de contar mentiras.
Bocas-livres acontecem a toda hora.
Algumas, de maneira canalha, bancadas pelo cheque especial do clube, porque simplesmente não há dinheiro em conta.
Outras são financiadas por ricos que pretendem permanecer no poder no Parque São Jorge, com evidente expectativa de retorno do investimento por meio de negócios envolvendo intermediários de jogadores, comissões de patrocínios e outras operações.
Neste fim de semana, por exemplo, haverá uma festança bancada pelo grupo do bicheiro Jaça em associação com Paulo Garcia — dono do presidente Osmar Stábile —, por meio das marcas Neobetel e Kalunga, esta última também investigada pelo Ministério Público de São Paulo sob suspeitas de corrupção.
O local será o Canindé, ambiente em que, nos últimos dias, o grupo de André do Bilhão e a turma de Augusto Melo também se aproximaram para participar do feirão de votos.
É uma triste realidade paralela em meio ao caos.
Os sorrisos no Parque São Jorge contrastam com o choro de milhões de torcedores que temem o destino que essa gente vem impondo ao clube ao longo dos últimos anos.
Urge uma solução.
E ela, definitivamente, não passa pelo sistema político vigente no Corinthians.


