Santos, pão e circo

Marcelo Teixeira parece ter escolhido o caminho mais conhecido — e perigoso — da cartolagem brasileira: empurrar a conta para o futuro enquanto oferece espetáculo no presente.
O Santos estava impedido pela Fifa de contratar porque não conseguia pagar uma dívida de R$ 12 milhões.
Quem resolveu o problema foi, novamente, a NR Sports, empresa da família Neymar, emprestando o dinheiro necessário para retirar o transfer ban.
Liberado para contratar, o clube mergulhou no mercado.
Arthur, Rodinei, Lima e Everton Cebolinha chegaram.
Philippe Coutinho, mais uma contratação de impacto, também foi acertado, com participação decisiva de Neymar na negociação.
Tudo isso num Santos que já acumula enorme passivo, inclusive com a própria família Neymar, credora do clube.
É a velha política do pão e circo.
Marcelo Teixeira oferece ao torcedor a falsa sensação de que o Santos voltou a ser protagonista.
A conta, porém, não desaparece porque a torcida está feliz.
Ao contrário: cresce.
Marcelo Teixeira sabe que futebol ganha eleição.
É exatamente assim que clubes tradicionais são conduzidos ao abismo.
Contrata-se aquilo que não se pode pagar, comemora-se o resultado esportivo e deixa-se o boleto para depois.
Se vencer a eleição, Teixeira seguirá, como tantas vezes fez, com a política do calote.
Em perdendo, deixará ao sucessor uma herança ainda mais difícil de administrar.


O torcedor é o palhaço