A cara de pau da Puma e o erro na camisa do Palmeiras

Em comunicado oficial para responder ao erro cometido na camisa do Palmeiras, a Puma poderia ter pedido desculpas, reconhecido o problema e providenciado a correção.
O assunto estaria encerrado.
Preferiu, porém, tratar o consumidor como ignorante e inventou uma justificativa que não resiste sequer à consulta do próprio dicionário citado pela empresa.
A palavra italiana “vittoria” foi estampada com acento agudo nas costas do uniforme, na frase “Scoppia che la vittória è nostra”.

Está errado.
Na ortografia italiana, “vittoria” não recebe acento gráfico.
A própria Puma reconhece isso ao utilizar a grafia correta, sem acento, em outro ponto da mesma camisa.
Flagrada no erro, a fornecedora alegou que não houve equívoco, mas uma suposta “escolha estilística” destinada a reforçar a sílaba tônica e facilitar a leitura.
Para conferir aparência intelectual à desculpa, citou o dicionário italiano Treccani.
Foi ainda pior.
De fato, o verbete da Treccani apresenta a palavra como “vittòria”, com a sílaba tônica indicada.
Mas isso ocorre dentro de um dicionário, cuja função inclui ensinar a pronúncia das palavras.
Não significa que o termo deva ser grafado dessa maneira numa frase, numa camiseta ou em qualquer texto corrente.
É o equivalente a copiar de um dicionário uma marca de pronúncia e fingir que ela integra a ortografia normal da palavra.
Há ainda um detalhe devastador para a versão da Puma: a Treccani utiliza acento grave — “vittòria” —, enquanto a camisa apresenta acento agudo — “vittória”.
Nem sequer a desculpa foi pesquisada adequadamente.
A fornecedora afirmou que a presença da grafia correta no patch provaria que o uso do acento nas costas foi proposital.
O raciocínio é inverso.
As duas versões na mesma peça evidenciam falta de padronização e de revisão.
Se a intenção artística existisse desde o desenvolvimento do uniforme, certamente estaria documentada no conceito apresentado ao Palmeiras, e não seria improvisada somente depois de o erro viralizar.
O equívoco não deveria ocorrer, mas, às vezes, acontece.
Constrangedor, porém, é que uma empresa, diante de uma falha evidente, produza uma explicação fantasiosa, cite uma fonte que a desmente e ainda aposte na estupidez de seus consumidores.

