O futuro do Palmeiras exige responsabilidade, não ofensas

Por OCUPA PALESTRA e GRUPO ARQUIBANCADA
Recentemente, tornamos pública nossa legítima preocupação com os evidentes riscos de conflito de interesses trazidos pela aquisição da SAF de outro clube brasileiro por empresas do grupo econômico familiar da presidente Leila Pereira. Como se sabe, seu enteado está à frente do processo, tendo o marido da presidente e suas empresas como avalistas do negócio.
A reação da mandatária em evento recente com conselheiros, infelizmente, seguiu o mesmo padrão já conhecido da opinião pública: em vez de apresentar respostas técnicas e salvaguardas institucionais a um problema real, a Sra. Presidente preferiu recorrer a desqualificações pessoais e dirigir ofensas verbais aos conselheiros e conselheiras que exercem com rigor o seu dever estatutário.
*Apontar a existência do conflito de interesses não é um ataque pessoal, mas um alerta para uma situação objetiva de risco institucional.*
O problema é tão real, concreto e reconhecido pelo mercado do futebol que a ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, da CBF) já se manifestou, neste mesmo caso, estabelecendo condicionantes para situações de controle ou influência cruzada entre agremiações concorrentes. Não imaginamos que a Presidente desqualifique os auditores do caso com ofensas, ou que os considere “imbecis”. O futebol brasileiro, para ser cada vez mais forte e saudável, precisa de fiscalização, não de acomodações políticas.
É preciso também deixar claro: nós, torcedores, conselheiros e conselheiras do Palmeiras, não estamos discutindo a legitimidade do Vasco da Gama em buscar parceiros, muito menos de empresas em firmar acordos comerciais. Estamos, única e exclusivamente, na defesa inegociável dos interesses do nosso clube, cobrando das instâncias de fiscalização – em especial do Conselho Deliberativo e do COF – a adoção de barreiras ao vazamento de informações sensíveis, proteção do know-how de negócios da SEP e estabelecimento de políticas rígidas para manutenção de profissionais do clube.
Em seu pronunciamento, a Sra. Presidente adotou uma conveniente distorção de conceitos: dedicação não substitui regras de compliance, e sua alegada boa vontade não elimina o dever estatutário de blindagem patrimonial e estratégica.
Além disso, ao cobrar que os conselheiros aliados se manifestem contra a oposição, há um pedido claro para que abram mão de sua função mais importante, que é a fiscalização dos destinos do clube.
Coincidentemente, em nossa próxima reunião do Conselho Deliberativo, dia 19/10, ao invés de debatermos questões essenciais como essa, estará em votação a suspensão de um conselheiro que, reclama a presidente, a ofendeu em reunião. Sugerimos, portanto, que o Presidente do CD, Alcyr Ramos, *trate com o mesmo rigor as violações estatutárias e ofensas proferidas contra conselheiros e conselheiras , abrindo a necessária sindicância para apuração dos fatos*.
Nenhuma ofensa ou ação nos intimidará. O Palmeiras pertence a sua torcida e seu futuro é ainda mais importante do que seu presente.
São Paulo, 6 de outubro de 2026.
GRUPO ARQUIBANCADA E OCUPA PALESTRA
Em defesa da Sociedade Esportiva Palmeiras

