O esquema de flanelinhas que circula o estádio do Santos

A Justiça converteu em preventiva a prisão de Levi Nascimento Júnior, detido em flagrante sob suspeita de extorsão contra torcedores do Santos nas proximidades da Vila Belmiro.
A prisão ocorreu durante operação policial contra a atuação de flanelinhas nos arredores do estádio.
Levi teria exigido R$ 100 de um torcedor para permitir que o veículo fosse estacionado nas proximidades do Burger King.
Diante da reclamação sobre o preço, teria ameaçado destruir o carro caso o pagamento não fosse realizado.
Na abordagem, o flanelinha teria afirmado que parte do dinheiro cobrado era destinada ao controlador de acesso José Eduardo Santana da Gama, que também acabou detido.
A decisão menciona ainda informação de que um policial militar receberia parte dos valores, indicando possível existência de um “esquema aparentemente estruturado”.
José Eduardo, que trabalha na empresa Predial, prestadora de serviços ao Burger King, negou participação nas cobranças.
Segundo ele, o estacionamento estava em reforma e não poderia ser utilizado.
O controlador afirmou que dois flanelinhas abriram a corrente e passaram a ocupar o espaço sem autorização.
Disse ainda que Diogo, responsável pela loja, havia autorizado Luan e Alves a permanecerem no estacionamento em dias de jogos para impedir a atuação de flanelinhas.
Ao ser informado de que precisaria acompanhar os policiais até a delegacia, José Eduardo correu em direção à loja, segundo sua versão, para buscar alguém que confirmasse que trabalhava no local.
Ele acabou detido e também foi autuado por resistência.
Diogo, coordenador de operações do Burger King no litoral, confirmou que um ex-funcionário apresentou Luan e Alves como policiais militares e que ambos auxiliariam nos dias de jogos do Santos em troca de alimentação, se necessário.
Disse desconhecer qualquer cobrança pelas vagas e afirmou que posteriormente soube que Luan não era policial militar, mas motorista de aplicativo.
Outra testemunha, Michel, confirmou que José Eduardo trabalha como controlador de acesso e afirmou desconhecer cobrança pelo estacionamento, que seria gratuito.
A Justiça considerou que a ameaça atribuída a Levi e os indícios de participação de outras pessoas justificavam sua manutenção na prisão para garantia da ordem pública.
Embora seja primário, ele responde a uma ação penal de 2023 por roubo majorado, na qual a denúncia já foi recebida.
José Eduardo, também primário, recebeu liberdade provisória.
Bastaria que a polícia, em todos os jogos, shows, cercanias de baladas e outros locais de grande fluxo de público, decidisse efetivamente trabalhar para encontrar, diariamente, esquemas semelhantes aos flagrados nas imediações da Vila Belmiro.

