Caso Memphis: Corinthians escreve certo por linhas tortas

O Corinthians desistiu de renovar o contrato com Memphis Depay, jogador que sequer deveria ter sido contratado, ao menos nas condições financeiras e de privilégios que lhe foram concedidas.
Não se trata de criticar o jogador, que está no direito de exigir o máximo possível em salários e benefícios e que possui valor em razão de uma carreira exitosa no futebol mundial, mas, sim, o clube, que, desde o princípio, não tinha condições de mantê-lo — assim como outros jogadores, muito inferiores, que também foram contratados.
Em tese, a desistência seria um grande acerto, mas há complicadas ressalvas.
Os culpados são Augusto Melo e seus parceiros de diretoria, responsáveis pela insanidade, e Osmar Stabile, que não teve coragem de, desde o princípio, fazer o que disse a este blog uma semana antes de assumir o cargo: não renovar com Memphis.
Ficou entre agradar a parcela inconsequente da torcida e a chantagem de correligionários para, ao final, desagradar a todos.
Agora, sequer a economia dos dois anos de contrato que estavam sendo negociados poderá, de fato, ocorrer.
O Corinthians deve mais de R$ 40 milhões a Memphis, valor que, com juros, poderá ultrapassar os R$ 70 milhões.
Porém, durante a negociação pela continuidade — que sequer deveria ter ocorrido —, Stabile aceitou a oferta de Memphis, gerando troca de minutas e pré-contrato, o que fez o holandês retornar ao Brasil.
Ao consentir com o acordo e, na hora H, decidir não assiná-lo, o Corinthians corre o risco, dependendo das provas a serem apresentadas, de precisar pagar mais dois anos de contrato a Memphis sem que ele seja obrigado a jogar pelo Timão.
Muito provavelmente, enquanto estiver atuando por outra equipe.
É disso, entre outras coisas, que provavelmente trata a raivosa nota oficial de Memphis, divulgada pouco depois da manifestação alvinegra.
Dias piores virão.

