Marcelo Paz se perdeu no Corinthians

Ontem, após a derrota por 2 a 0 para o Internacional, resultado que dificultou a classificação do Corinthians para a próxima fase da Copa do Brasil, o executivo Marcelo Paz preferiu, à semelhança de tantos cartolas amadores do futebol brasileiro, utilizar a arbitragem como cortina de fumaça para esconder sua evidente má gestão.
“Os jogadores não podem falar, não podem reclamar, contar faltas do rival, que é toda hora tolhido de poder falar qualquer coisa dentro e também fora de campo.”
Pior: no mérito da reclamação, o dirigente está errado.
Há tempos, vigora a determinação de que somente o capitão da equipe pode dirigir-se à arbitragem, o que, por óbvio, impede que os demais jogadores tenham a mesma prerrogativa.
Um dirigente minimamente preparado e que exercesse liderança sobre seus comandados, em vez de lançar poeira ao vento, trataria de orientá-los quanto ao comportamento correto dentro de campo, em vez de encampar uma reclamação natimorta, sem qualquer fundamento regulamentar.
Mas o problema não se resume a isso.
O Marcelo Paz do Fortaleza, que aparentava coragem e modernidade, murchou no Corinthians.
Sucumbiu ao sistema e, sem coragem — além de aparentemente despreocupado com a preservação da própria biografia, talvez porque receba, entre salário e premiações, mais que o dobro do que embolsava no Nordeste —, silencia diante de barbaridades.
É incapaz, por exemplo, de assumir pessoalmente a condução da negociação envolvendo Memphis Depay, terceirizando-a ao ineficaz presidente do clube.
Um executivo de pulso proibiria o vice-presidente e demais aspones de frequentarem o CT Joaquim Grava, quanto mais os vestiários, hotéis e demais ambientes que deveriam ser de uso exclusivo dos jogadores e da comissão técnica.
Marcelo Paz, que representava a esperança de uma mudança de gestão no futebol do Corinthians, revelou-se apenas uma muleta para a manutenção do atraso.

