Primo de ex-presidente do Corinthians é protegido após aplicar golpe do camarote

Fernando Monteiro Alves, primo do ex-presidente Duílio Monteiro Alves — conhecido como “Duílio do Bingo” —, foi reintegrado ao ambiente do Parque São Jorge por Osmar Stabile, mesmo após ter sido flagrado em esquema de cambismo durante a gestão Augusto Melo. Agora, voltou a aprontar.
Desta vez, teria aplicado o chamado “golpe do camarote”.
A denúncia é do influencer Edu Oliver, do canal A Voz das Arquibancadas, que conversou com o Blog do Paulinho:
“Fernando Monteiro Alves vendeu um camarote de R$ 275 mil na Neo Química Arena.”
“Isso aconteceu no mês de maio de 2025.”
“Ele estava utilizando uma credencial do Corinthians, se passando por funcionário do clube.”
“Dois empresários compraram esse camarote.”
“Foram realizadas transferências, parte em conta ligada a Fernando Monteiro Alves, o restante na de sua mãe, Sueli Canoza Monteiro Alves (com chave pix em nome de Fernando).”
![]()
“Após o golpe, os empresários começaram a cobrar. Foram ao Corinthians, e a documentação chegou às mãos de Romeu Tuma Jr., que informou o Conselho Deliberativo e encaminhou o caso ao departamento jurídico.”
“Eles, de certa forma, abafaram o caso.”
“Os empresários estão revoltados. Foram à delegacia, registraram boletim de ocorrência e pediram ressarcimento.”
“Após o BO, Fernando entregou um cheque como forma de devolução do valor obtido no estelionato, mas o cheque voltou sem fundos. Ou seja, as vítimas não receberam.”
“Toda essa documentação já está com o Corinthians, mas ninguém se pronunciou.”
“Fernando continua sendo sócio do clube.”
“Agora, a polícia está à procura dele. Ninguém mais o encontra, e ele deixou de frequentar o clube.”
“Conversei com Tuma. Ele confirmou que recebeu os documentos e os encaminhou ao jurídico, que não deu retorno.”
“Para algumas pessoas lá dentro, o jurídico alega que o Corinthians também é vítima. Ainda assim, não há qualquer movimentação do clube contra Fernando, que segue como associado.”
Após a queda de Augusto Melo, o primo de Duílio ‘do Bingo’, que, assim como ele, é protegido pela gestão Stabile, passou a apoiar o atual presidente do Corinthians, frequentando, inclusive, o gabinete do 5º Andar.

Requerimento enviado pela vítima a Romeu Tuma Junior
ILUSTRÍSSIMO SENHOR
SR. ROMEU TUMA JUNIOR
Presidente do Conselho Deliberativo
SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA
REF.: REQUERIMENTO DE PROVIDÊNCIAS – COMUNICAÇÃO DE FRAUDE
[Dados pessoais ocultados]
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Senhoria, expor e requerer o que segue:
O Requerente foi vítima de grave fraude praticada por indivíduo que se apresentou como FERNANDO MONTEIRO ALVES, o qual portava crachá e se identificava como assessor da Diretoria do Sport Club Corinthians Paulista, utilizando-se, portanto, da imagem e credibilidade da instituição para induzir o Requerente em erro.
O referido indivíduo ofertou a venda de um camarote no estádio do Corinthians pelo valor de R$ 275.000,00 (duzentos e setenta e cinco mil reais), quantia esta que foi integralmente paga pelo Requerente nas contas bancárias indicadas pelo próprio suposto assessor, conforme informado no BO.
Posteriormente, constatou-se tratar de fraude, motivo pelo qual foi registrado Boletim de Ocorrência Criminal nº BZ2881-1/2026, perante a autoridade policial competente, estando os fatos sob investigação.
Diante da gravidade dos fatos e da utilização indevida do nome e da estrutura institucional do Sport Club Corinthians Paulista, REQUER a Vossa Senhoria que adote as providências cabíveis junto ao Presidente da Diretoria do Clube, a fim de:
-
Informar formalmente que o Requerente foi vítima de fraude envolvendo indivíduo que se passava por assessor da Diretoria;
-
Apurar internamente a veracidade da vinculação do referido indivíduo com o Clube, bem como eventual responsabilidade institucional;
-
Preservar e fornecer informações e documentos que possam auxiliar as investigações criminais e eventual responsabilização civil;
-
Adotar medidas para evitar que fatos semelhantes voltem a ocorrer com outros torcedores, associados ou terceiros de boa-fé.
O Requerente coloca-se à disposição para fornecer toda a documentação comprobatória, inclusive comprovantes de pagamento, comunicações mantidas com o fraudador e demais elementos de prova.
Termos em que,
Pede deferimento.
Artur Nogueira/SP, 20 de fevereiro de 2026.

A ficha criminal de Fernando Monteiro Alves (com documentos)
O Blog do Paulinho levantou a extensa folha corrida no primo de Duílio ‘do Bingo Monteiro Alves, ainda maior, e mais perigosa, do que a de seus complicados familiares.
Em 2016, Fernando foi preso, condenado a cinco anos e quatro meses por corrupção de menores e extorsão.
Apenas um entre diversos problemas que o cercam.
Encontramos, fora o processo descrito, oito indiciamentos por estelionato, três por apropriação indébita e um de ameaça.
Apesar de transitar no gabinete da presidência do Corinthians, há anos o rapaz é procurado pela Justiça para responder, ao menos, por cinco destes crimes.
Quatro estelionatos e uma apropriação indébita.
Os processos estão suspensos para não prescreverem; intimado por Edital, Fernando teve a revelia promulgada.
O assessor parece viver em fuga.
Há tempos, tem o hábito de alugar moradias, não pagar, e sumir do mapa, gerando diversos processos de despejo (quase uma dezena); o mais recente tramita desde o mês passado, tentando expulsá-lo do local em que reside atualmente, próximo da sede do Corinthians.
Num destes procedimentos, que gerou o inquérito por apropriação indébita (um deles), Fernando Monteiro Alves é acusado de abandonar a residência, sem pagar, e ainda levar consigo objetos do proprietário.
Mas este caso é pouca coisa perto dos demais.
Vamos à listagem:
1998
Estelionato
IP 594/1998 – 30º DP
Data do fato: 12/03/1998
Vítima: Silvio Alves Araújo
2001
Estelionato
IP 38/2001 – 08º DP
Data do fato: 27/03/2001
Vítima: Elza Tavares de Menezes
2005
Apropriação indébita
IP 403/2005 – 66º DP
Data do fato: 15/05/2005
Vítima: Juliana Cristina Costa
Corrupção de Menores e Extorsão
IP 113/2005
Data do fato: não consta
Vítima: Milene Parente Loureiro
Processo: 19ª Vara Criminal de São Paulo
20/01/2015 – Condenado a cinco anos e quatro meses de prisão
10/06/2016 – Preso no CPP Franco da Rocha

Estelionato
IP 414/2009 – 30º DP
Data do fato: 22/06/2009
Vítima: Tatiana Martins Coelho
2010
Estelionato
IP 341/2010 – 30º DP
Data do fato: 03/05/2010
Vítima: Paulo Queiroz Filho

Estelionato
IP 732/2010 – 30º DP
Data do fato: 10/09/2010
Vítima: Reinaldo Redondo
Estelionato
IP 188/2010 – 01º DP (São Joaquim da Barra)
Data do fato: 20/09/2010
Vítima: Antonio Marcio Guimarães Tavares

Estelionato
IP 768/2010 – 30º DP
Data do fato: 01/10/2010
Vítima: Francisco Gelson de Lima
2011
Apropriação Indébita
IP 44/2011 – 05º DP
Data do fato: 22/04/2010
Vítima: não consta no documento
2014
Apropriação indébita
IP 261/2014 – 52º DP
Data do fato: 26/05/2014
Vítima: Condomínio Quartier Dor
2016
Estelionato
IP 64/2016 – 2º DIG – Fé Pública
Data do fato: 16/02/2016
Vítima: Horizonte Veículos e Peças Ltda.
2018
Ameaça
Processo criminal 2129295/2018
Foro da Barra Funda
Vítima: não consta

PRISÃO
Durante determinados períodos, a população de São Paulo não teve a mesma ‘sorte’ dos sócios, diretores e conselheiros do Corinthians, sendo privada, pelo Estado, de conviver com a respeitável figura de Fernando Monteiro Alves.
Vamos à cronologia do ‘afastamento’.
26/10/2005
Preso em flagrante pelo DEIC, Fernando é transferido para o CDP do Belém I
27/01/2006
Três meses após, a Justiça lhe concede Liberdade Provisória
10/06/2016
Condenado em 20/01/2015 a cinco anos e quatro meses de prisão por Corrupção de Menores e Extorsão, somente um ano e cinco meses após, Fernando é capturado, iniciando o cumprimento da pena no CPP Franco da Rocha
07/10/2016
Bastou quatro meses de rotina carcerária para o assessor da presidência do Corinthians ser transferido para o Hospital do Tatuapé sob alegação da necessidade de suposto tratamento de saúde.
07/12/2016
A Justiça concede a Fernando a prisão domiciliar.
O número SAP de Fernando Monteiro Alves, ou seja, sua identidade de preso, é: 393.565-7


Candidatura a Deputado Estadual
Em 2006, em meio ao cometimento de crimes, Fernando Monteiro Alves tentou ser candidato a Deputado Estadual em São Paulo.
Seu partido era o PTB.
Provavelmente por conta dos processos, sua pretensão foi considerada INAPTA.
Fernando almejava pegar carona na carreira política do parente Adilson Monteiro Alves, de passado triste na vida pública nacional.




