Conter a escalada da obesidade

Da FOLHA

EDITORIAL

  • Pesquisas mostram aumento da prevalência do excesso de peso na população brasileira
  • Problema, capaz de impactar um SUS já pressionado pelo envelhecimento populacional, exige ações integradas nas três esferas de governo

São preocupantes os dados divulgados sobre obesidade no Brasil, ainda mais considerando que ela é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, infarto, além de vários tipos de câncer.

Levantamento do Vigitel (sistema de vigilância do Ministério da Saúde) divulgado em janeiro mostra prevalência de 25,7% da enfermidade entre adultos em 2024, ante 11,8% no início da série histórica, em 2006 —alta de 118%.

Em 2021, o governo federal instituiu um plano de ação para enfrentar doenças crônicas e agravos não transmissíveis (Dant), com metas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Uma delas estabelece que a taxa de obesidade no país deve cair para 20,3% (verificada em 2019) até 2030. Em 2020, contudo, ela foi superada (21,7%).

Trata-se de mais um exemplo de como o poder público brasileiro tem dificuldade crônica para tirar suas metas do papel.

Já o relatório da Federação Mundial de Obesidade, lançado na terça (3), indica que cerca de 38% de crianças e jovens no país (de 5 a 19 anos) estavam obesos ou com sobrepeso em 2025, acima da média global de 20,7%. São 17 milhões de pessoas nesse estrato com índice de massa corporal (IMC) considerado alto, sendo 7 milhões com obesidade.

Estamos em 6º lugar na lista de países com maior número absoluto de crianças e jovens com excesso de peso. E a tendência é de piora: o texto projeta que a taxa deve chegar a 50% em 2040.

Sobrepeso e obesidade são condições de saúde complexas que exigem ações integradas.

O consumo de ultraprocessados, que tem aumentado principalmente nas classes mais pobres devido ao baixo preço, deve ser contido com campanhas de conscientização e informações claras no rótulos. Produtos do tipo também devem passar longe da merenda escolar. É preciso, ainda, facilitar a oferta de alimentos saudáveis nessas comunidades.

Com a profusão do uso de telas, cai a atividade física, notadamente nos estratos mais jovens. Uma urbanização focada em áreas verdes e esportivas é crucial nesse sentido.

No SUS, especialistas apontam que é preciso melhorar o diagnóstico e a prescrição de medicamentos, que não se resumem às famosas canetas emagrecedoras.

Tal força-tarefa envolvendo as três esferas é o único caminho para ao menos interromper a escalada da prevalência de uma doença capaz de impactar os custos do sistema de saúde —que será cada vez mais pressionado pelo envelhecimento populacional.

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