Presidente da Comissão de Ética do Corinthians cometeu falsa comunicação de crime?

O Blog do Paulinho teve acesso a documentos que, avaliados em conjunto, sugerem possível falsa comunicação de crime protagonizada, em tese, por Leonardo Pantaleão, presidente da Comissão de Ética do Corinthians.

Vamos aos fatos.

Em 17 de julho de 2025, pressionado pela mídia, Romeu Tuma Junior, presidente do Conselho Deliberativo, enviou o ofício CD 014/2025 a Leonardo Pantaleão, então Superintendente Jurídico do clube, solicitando a preservação dos documentos contábeis da agremiação referentes aos últimos sete anos — período que compreende as gestões Andres Sanchez, Duílio “do Bingo” Monteiro Alves e Augusto Melo.

No documento, Tuma registrou:

“Diante da divulgação pela imprensa de possíveis irregularidades na documentação financeira das gestões passadas e da protocolização de representações formais de associados sobre o assunto, requeiro expressamente a esta ínclita Diretoria Jurídica a preservação e alocação, em separado, de todos os documentos que instruíram as prestações de contas dos últimos sete (07) anos para futura análise dos órgãos competentes, tanto no âmbito interno — tais como a Comissão de Ética, Comissão de Finanças e Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo — quanto externo, como Polícia Civil, Ministério Público etc.”

No dia seguinte, 18 de julho, Leonardo Pantaleão formalizou Boletim de Ocorrência eletrônico, denunciando supressão ou destruição de documentos sensíveis do Corinthians e solicitando, no mesmo ato, a instauração de Inquérito Policial.

No relato, afirmou:

“Na data de ontem, o referido setor identificou que faturas de cartão de crédito corporativo vinculadas à Presidência do clube, referentes a gestões anteriores, deixaram de constar nos arquivos físicos e digitais oficiais da instituição, sem que houvesse qualquer autorização ou justificativa formal para sua retirada ou eliminação. Ressalta-se que tais faturas passaram a circular de forma fragmentada e seletiva na imprensa, o que reforça a hipótese de acesso indevido com propósito ilícito.”

Acrescentou ainda:

“Tais documentos possuem caráter sigiloso, especialmente em razão da presença de dados pessoais sensíveis, o que também configura possível violação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), além de configurar, em tese, crime de subtração ou destruição de documentos administrativos (art. 305). Neste momento, não é possível afirmar se outros documentos também foram subtraídos, o que exige investigação urgente para preservar o patrimônio informacional do clube, os direitos de seus associados e dirigentes e a integridade da entidade.”

Ao final, requereu:

“Diante do exposto, requer-se a oficialização do presente e a consequente instauração de IP para apuração do ora narrado.”

É grave.

Também é estranho que assunto de tamanha relevância — sobretudo considerando que as documentações, aparentemente, tratariam justamente de faturas de cartões corporativos e notas fiscais investigadas como possivelmente fajutas ou ilegais, emitidas ou recebidas em favor das recentes gestões da Renovação e Transparência — não tenha motivado o então Superintendente Jurídico a comparecer pessoalmente à delegacia, optando por comunicar o suposto crime de maneira virtual.

Eis que, também sob pressão, às 09h12 de 5 de setembro de 2025, menos de dois meses após o Boletim de Ocorrência, Osmar Stabile, presidente do Corinthians, enviou e-mail ao Ministério Público de São Paulo, aos cuidados do promotor Cássio Conserino, informando que a íntegra das documentações contábeis dos anos de 2018 a 2023 estava disponível, compilada e pronta para ser enviada.

Na mensagem, registrou:

“Venho, por meio deste, informar, conforme comunicado recebido do Dr. Pedro Soares, atual Diretor Jurídico, e do Sr. Roberto Gavioli, do departamento financeiro, que toda a documentação solicitada pela 6ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, consistente nas prestações de contas dos anos de 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023, referentes aos mandatos dos ex-presidentes ANDRÉS SANCHES e DUÍLIO MONTEIRO ALVES, encontra-se devidamente compilada e pronta para ser enviada.”

Há algo estranho no reino de Parque São Jorge.

Em momento algum Stabile informa ao promotor que havia documentos faltantes no acervo, nem menciona a comunicação de crime realizada pelo “representante institucional do Sport Club Corinthians Paulista”, forma como Pantaleão se apresentou à polícia.

Se não houve subtração dos materiais — como sugerem os comportamentos descritos — pode ter ocorrido falsa comunicação de crime, hipótese que recairia sobre Leonardo Pantaleão, caso soubesse tratar-se de informação inverídica no momento da formalização do Boletim de Ocorrência.

É isso que, segundo apuramos, passará a ser investigado pelo Ministério Público, no âmbito dos procedimentos que cercam os bastidores do clube.

Nos meios políticos do Parque São Jorge e também na promotoria circula a suspeita de que teria havido acordo político para proteção de ex-presidentes investigados, em troca do direcionamento dos votos em favor da eleição de Osmar Stabile, que acabou vencedor do pleito.

Por essa razão, diretoria e demais poderes do clube estariam dificultando, deliberadamente, a apuração desses casos.


Comunicação enviada por Romeu Tuma Junior a Leonardo Pantaleão


BO formalizado por Leonardo Pantaleão


Email de Osmar Stabile enviado ao MP-SP

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