MP-SP investiga construção do CT do Santos, financiado por Neymar

O MP-SP, por meio do promotor Alessandro Bruscki, instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na construção do CT do Santos, bancado pela família Neymar, previsto para a entrada do município de Praia Grande (SP).

O empreendimento está projetado para ser instalado em zona de amortecimento do Parque Estadual Xixová-Japuí, área ambientalmente sensível e sujeita a regras específicas de proteção.

Relatório da Frente Contra a Devastação da Zona de Amortecimento do Parque Estadual Xixová-Japuí alerta que a obra pode provocar impactos severos à biodiversidade local.

O estudo aponta risco direto ao habitat de ao menos 41 espécies de aves, sendo nove endêmicas da Mata Atlântica — ou seja, espécies que só existem nesse bioma —, além de duas ameaçadas de extinção.

O projeto ganhou notoriedade após anúncio feito por Neymar pai, que divulgou parceria para a construção de um complexo esportivo que incluiria campos de treinamento e estruturas destinadas ao uso do Peixe.

Com dinheiro do filho, evidentemente.

A área prevista envolve vegetação nativa de restinga, um dos ecossistemas mais frágeis e protegidos da Mata Atlântica.

Ambientalistas e moradores da região questionam a viabilidade do empreendimento diante da ausência de licenciamento ambiental concluído, exigido por lei para obras em áreas com potencial impacto ambiental.

A preocupação se agrava pelo fato de o local funcionar como faixa de transição e proteção do Parque Estadual Xixová-Japuí, criado justamente para conter a expansão urbana desordenada e preservar a biodiversidade da Baixada Santista.

O promotor Alessandro Bruscki já expediu ofício à administração do prefeito Alberto Mourão, solicitando informações detalhadas sobre os trâmites do projeto.

Para especialistas, o episódio expõe mais um conflito entre interesses econômicos e a preservação ambiental, levantando questionamentos sobre a flexibilização de regras, o papel do poder público municipal e a necessidade de transparência em empreendimentos que envolvem áreas legalmente protegidas.

Os Neymar (pai e filho) parecem desconhecer limites quando se trata de suas atividades comerciais.

Diante disso, cabe ao poder público — e à sociedade — impô-los.


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