Leão e Oswaldo de Oliveira são recortes do Brasil

O que deve ter passado pela cabeça de Carlo Ancelotti — um dos treinadores mais consagrados da história, infinitamente superior a qualquer técnico brasileiro em atividade — ao ouvir a demonstração de grosseria e xenofobia de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira?

Talvez, num primeiro momento, raiva.

Depois, muito provavelmente, pena.

Oswaldo afirmou:

“Eu não queria treinador estrangeiro, mas não tinha jeito. Se tivesse que ser, que fosse esse senhor. Torci para que fosse esse senhor. Depois que ele for embora, campeão do mundo, que venha um brasileiro.”

Leão foi ainda mais explícito:

“Eu sempre disse que não gosto de treinadores estrangeiros no meu país, e isso serve para o Mancini, que é o presidente da Federação Brasileira de Treinadores.”
“Estou falando aqui na frente da nossa casa.”
“Antes eu dizia que não suportaria treinadores estrangeiros.”
“Você sabe que eu já falei isso, né, Zé (Mário)?”
“Você sabe que eu já falei isso e não mudo. Não mudo minha opinião.”
“Mas tenho que ser inteligente o suficiente para dizer que há um culpado: nós. Nós, treinadores, somos culpados pela invasão de outros profissionais que não têm nada a ver com isso.”

A dupla, não por acaso, vive o ostracismo.

Ambos recalcados, feridos pelo próprio fracasso.

São recortes de um Brasil em que boa parte da população — talvez mais da metade — age de maneira semelhante diante do outro: formada pela má leitura, pelo convívio social precário e pelo desprezo absoluto à educação e à civilidade.

Facebook Comments

Posts Similares

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.