“X Sports”: como se sustenta o canal da Kalunga?

Estreou há pouco o “X Sports”, mais uma tentativa da Kalunga de emplacar o canal 32, faixa que fez grande sucesso nos anos 90 com a MTV Brasil.
Iniciativas anteriores acumularam fracassos e litígios judiciais.
Até recentemente, para minimizar prejuízos, a Kalunga alugava horários a mercadores evangélicos que se apresentavam como “igrejas”.
Agora, a proposta é mais ousada: esporte 24 horas em emissora aberta.
À primeira vista, parece promissor.
Alguns problemas, porém, saltam aos olhos.
A dependência quase exclusiva de material da ESPN, salvo raros eventos interessantes, torna a experiência do telespectador cansativa — sensação agravada pela sofrível estética visual da emissora.
Há ainda, como bem destacou Mauricio Stycer em coluna na Folha, a exibição de conteúdo datado, em muitos casos já superado por novas realidades.
Falta ousadia — e, talvez, recursos — para a criação de produtos próprios.
E por falar em dinheiro, chama atenção a ausência de patrocinadores.
Em vários horários, o único anunciante é a própria Kalunga, o que, por si só, torna a operação insustentável, especialmente considerando a contratação de nomes consagrados como Milton Leite, Mauro Beting e outros poucos.
A não ser que o objetivo seja outro que não o de, efetivamente, conquistar audiência e lucratividade.
Mais precisamente, um modelo semelhante ao da Record TV.
Mantida pela IURD, de Edir Macedo, a emissora é investigada por, supostamente, realizar operações de auto-patrocínio com valores acima da média do mercado, gerando circulação imprecisa de recursos entre empresas do mesmo proprietário.
Tomara não seja o caso.
Ao redor de Paulo Garcia, além da Kalunga, circula a Elenko Sports – empresa de agenciamento de jogadores em nome do irmão Fernando -, com movimentação financeira obscura e filiais em paraísos fiscais.
Inserida em uma das faixas mais nobres da TV aberta, a X Sports, se administrada com um mínimo de competência, teria condições de rivalizar com canais fechados especializados em esportes — desde que esse seja, de fato, o objetivo de seu controlador.
