Não surpreende a ausência de ética do Dr. Runco

Mensagens enviadas pelo Dr. José Luiz Runco a um grupo de WhatsApp, revelando o quadro clínico de De La Cruz, jogador do Flamengo — que, por estar sob seus cuidados, deveria ser resguardado pelo sigilo médico —, escancararam, mais uma vez, a reconhecida ausência de ética de quem, apesar disso, sempre encontra boas colocações no mercado da bola.
Um mistério.
“Prezado João, boa tarde. Vou tentar passar a situação do De La Cruz. Jogador comprado em outra gestão, sem a menor condição, pois apresenta uma lesão crônica e irreparável no joelho direito, além de uma lesão também no joelho esquerdo. Como somos bípedes, temos dificuldade de equilíbrio e equilíbrio muscular quando algum membro já está afetado. Estamos tentando fazer o possível para que ele possa participar, mas é muito complicado. E quanto à venda, só se houver algum clube que tenha interesse por outro motivo, e não para jogar futebol competitivo.”
O Flamengo, também atingido, deveria demiti-lo; o jogador, processá-lo.
Ao longo dos anos, revelamos diversos desvios éticos de Runco.
Em 2008, mesmo sem ter examinado Kleber Pereira, o doutor assinou um laudo confirmando lesão no atacante — posteriormente desmentida por exames realizados por médicos do Santos.
A “liberação à distância” favoreceu a CBF, que, com isso, não precisou indenizar o clube pelo desfalque.
O blog denunciou, em 2012, a conivência de Runco com o “mundo de mentiras” que cercava o jogador Adriano.
Mesmo diante de evidências de que o atleta não reunia condições físicas e emocionais para atuar, o médico preferiu o silêncio ou declarações evasivas, permitindo a perpetuação da farsa.
Em outro caso, naquele mesmo ano, Runco protagonizou um episódio ainda mais grave: autorizou um jogador a atuar mesmo após um desmaio e suspeita de concussão.
Runco envolveu-se em nova polêmica em 2016, ao utilizar sua influência para promover, na Arena Palestra, o uso de um medicamento de eficácia duvidosa, associando sua imagem a interesses comerciais carentes de validação científica.
O episódio escancarou o lobby médico dentro do futebol, onde o marketing de substâncias experimentais se sobrepõe à prudência científica e à segurança dos atletas.
Tudo à luz do dia, sem que os Conselhos de Medicina esbocem o mínimo gesto de repreensão.
