Do Brás à Sorocaba: PF investiga ligação de político bolsonarista com operador do crime organizado

A Policia Federal, no âmbito da ‘Operação Tacitus’, descobriu que Cicero João, ex-vereador de Sorocaba, recebeu doação de campanha de Ademir Pereira de Andrade, tratado nas investigações como operador de dinheiro do PCC.

R$ 16 mil foram repassados em 2020, quando da primeira eleição do político.

Em 2024, Cicero foi derrotado nas urnas.

A ligação entre eles é bem mais antiga do que sugere o documento.

Segundo fontes, Ademir seria, desde os anos 90, o operador de negócios suspeitos de Cícero – que não poderia se utilizar de transações bancárias – no ramo de supermercados (investigados como golpes de arara), atuando, para ele, como espécie de agiota, na troca de cheques e outros meios de pagamento, como os ‘vales-refeições’.

Um dos intermediários seria um advogado conhecido como Dr. Barros.

Com o tempo, as tratativas evoluíram para o financiamento político.

É pouco provável que sem a expectativa de contrapartidas.

A PF há de trazer à tona a verdade.

O ex-vereador, que nega possuir negócios com Ademir, é velho conhecido da Polícia de São Paulo.

Quando frequentador do bairro do Brás, foi detido, algumas vezes, pela prática de ‘golpe de arara’, tendo como possíveis vítimas, prioritariamente, fornecedores de alimentos.

Alguns casos, apesar de fortes indícios, morreram nas delegacias.

Há alguns anos, com a situação complicada em São Paulo, Cicero surgiu em Sorocaba apresentando-se como ‘empresário’, distribuindo dinheiro a igrejas evangélicas, ao que parece, em troca de apoio político.

Nestas eleições, o Blog do Paulinho escancarou que o então candidato respondia a crimes de peculato (rachadinha) e assédio sexual.

Cícero declarou R$ 5.024.879,00 em bens, mas, segundo fontes, o valor real pode ser muito maior.

    • R$ 350 mil (dinheiro em espécie);
    • R$ 507,3 mil (apartamento na Mooca/SP);
    • R$ 110 mil (Toyota Corolla XR-520 – 2018/2019);
    • R$ 3,5 milhões (proprietário da empresa Engecon);
    • R$ 50 mil (proprietário da empresa Infinity – Construtora);
    • R$ 200 mil (proprietário da empresa Star Modas);
    • R$ 202,5 mil (50% de terreno no loteamento Ibiti Royal Parque);
    • R$ 105 mil (Peugeot 3008 – 2018/2019)

Assédio Sexual?

Certidão do TJ-SP revela o nome de Cícero João da Silva como acusado de, no dia 27 de abril de 2023, no bairro de Pirituba, em São Paulo, ter cometido o crime de Assédio Sexual.

O inquérito nº 2127982 foi instaurado na 33ª Delegacia.

As investigações correm em Segredo de Justiça.

Até o momento o candidato não negou a autoria, nem impugnou a documentação (juntada pelo próprio à Justiça Eleitoral), que constava, por obrigatoriedade, em seu pedido de homologação de candidatura.


Peculato (Rachadinha)

Em 15 de março de 2024, a delegacia Seccional de Sorocaba, provocada pelo MP-SP, instaurou o Inquérito Policial nº 2078709-56.2024.120500 contra Cícero João para averiguação de crime de Peculato (Rachadinha).

“(…) entre os dias 05/05/2021 a 24/10/2023, o vereador da Câmara de Vereadores desta cidade, CÍCERO JOÃO DA SILVA estaria desviando dinheiro público, de que tem a posse, em proveito próprio ou alheiro, vez que exigia da sua assessora parlamentar, Amanda Daniele Ghiraldi Cardoso Oliveira, sob ameaça de exoneração, a quantia mensal de R$ 1.700,00 de seu pagamento, referente ao cargo comissionado da Câmara Municipal, para pagamento de parte do salário de uma outra assessora pessoal do vereador, Sra. Giovanna Oliveira”

“Diante do acima exposto, para cabal apuração dos fatos que, em tese, caracteriza o crime descrito no artigo 312 do Código Penal e elucidação de autoria, declaro instaurado o competente Inquérito Policial”

Abaixo, cópia de um dos pagamentos em Pix de Amanda, no valor de R$ 1,7 mil, enviado para a conta corrente de Giovanna, assessora pessoal de Cícero João, operação que o MP-SP trata como retorno de salário (rachadinha)

O Blog do Paulinho teve acesso a conversas de whatsapp mantidas entre Cícero e a assessora Giovanna, que, segundo as investigações, seria o caixa do dinheiro recebido, indevidamente, pelo Vereador.

Destacamos:

Em 19 de abril de 2024, Giovanna, assessora/caixa(?) de Cícero, foi ouvida pela polícia:

“(Giovanna) declarou que começou a trabalhar para o vereador Cícero João da Silva em 05/05/2021 exercendo a função de assessora direta, esclarecendo que foi uma contratação informal, pois a sua assessoria seria diretamente a ele, e não pela Câmara de Vereadores”

“Portanto, não houve nenhum registro em Carteira de Trabalho”

“Foi estipulado, inicialmente, o salário de R$ 1,7 mil e, em 2022, o seu salário foi para R$ 2,7 mil”

“Que, inicialmente, o valor pago à declarante era feito EM DINHEIRO ou através da conta bancária do próprio Vereador”

“Que após alguns meses (não se recorda desde quando exatamente) essa transferência saia da conta bancária de Amanda Danieli Ghiraldi Cardoso Oliveira (…)”

Cícero, em depoimento, negou as acusações.

“(Cícero) declara que nunca exigiu, ou pediu, para que alguém repassasse valores sob ameaça de exoneração”

“Nunca pediu ou exigiu a quantia mensal de R$ 1,7 mil do pagamento da assessora Amanda Danieli Ghiraldi Cardoso Oliveira (…) e de nenhum outro assessor parlamentar”

O MP-SP determinou que os autos retornem à Delegacia para intimação da Prefeitura Municipal de Sorocaba.

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