De Cannes ao Globo de Ouro: as façanhas de Fernanda Torres

Em 1986, aos 21 anos, Fernanda Torres conquistou o prêmio de Melhor Atriz no prestigioso Festival de Cannes, um dos mais relevantes do planeta.

O filme era ‘Eu sei que vou de Amar’.

Assisti a obra, à época, em VHS, orgulhoso não apenas pela ótima atuação, mas pelo raro reconhecimento internacional a uma artista brasileira.

Treze anos após, o DNA da família se fez presente quando Fernanda Montenegro disputou o Oscar e o Globo de Ouro por Central do Brasil.

Ontem, 39 anos após Cannes, uma Fernanda Torres madura, linda, elegante, subiu ao palco para receber o Globo de Ouro de Melhor Atriz dramática, superando divas do cinema mundial.

Num contexto mais relevante do que o de 1986.

O filme ‘Ainda estou aqui’ é uma carta ao planeta, agora mais acessível pela premiação, de um Brasil que clama por socorro numa luta ainda em curso contra os efeitos da Ditadura.

Em 2021, por muito pouco, não retornamos àqueles tempos.

Através de Fernanda, a luta de Eunice Paiva, que expôs a covardia dos que torturam e mataram seu marido Rubens, defendida ainda hoje por abjetos como Jair Bolsonaro, que chegou a cuspir numa estátua do ex-deputado – ultrapassou nossas fronteiras.

Por aqui, até o momento, três milhões de pessoas, muitas delas pela primeira vez, tiveram contato com a história; agora, outras mais deverão assistir, somadas ao público que preferirá o conforto do streaming.

A indicação ao Oscar, que parecia distante, surge no horizonte.

Não que Fernanda precise, mas é possível sonhar.

Por ora, o Brasil agradece a atriz pela alegria da premiação, pela obra cinematográfica inesquecível e à Eunice Paiva por servir de inspiração a uma luta que segue sendo de todos nós.

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