Cartolas do Corinthians admitem incompetência para não serem apanhados como corruptos

Vinicius Cascone e Augusto Melo

Em resposta enviada à polícia de São Paulo, no âmbito das investigações do repasse indevido de dinheiro do clube a intermediário que confessou não ter intermediado, o famoso ‘caso Vai de Bet’, cartolas do Corinthians preferiram se fazer de incompetentes para, tudo indica, não serem apanhados como corruptos.

A investigação pediu explicações sobre o recebimento de R$ 56 milhões pela patrocinadora através de empresas que não constavam em contrato.

O documento obriga, em caso de troca da fonte pagadora, a formalização do pedido e também da autorização.

Além deste procedimento, o Corinthians se viu obrigado a revelar que as repassadoras, estranhas ao acordo, pagavam os valores diariamente, não a cada 30 dias, como estipulado em contrato.

Método muito utilizado em crimes de lavagem de dinheiro.

Fontes do clube informam que, em alguns casos, o Corinthians recebia em espécie.

Não é preciso ser genial para verificar que a ‘Vai de Bet’ perderia fortuna ao deixar de aplicar os recursos e oferta-los, antecipadamente, ao Timão.

Sobre o questionamento policial, o clube respondeu que tanto o pedido para modificar os intermediários dos R$ 56 milhões, quando a autorização do clube, ocorreram de maneira verbal.

Disse também não possuir documento que formalize o procedimento.

Email, conversa por whatsapp, nada.

A utilização da admissão de incompetência como defesa para problemas mais graves assemelha-se ao comportamento que inseriu Alex Cassundé como recebedor de comissão da Vai de Bet, sem que existisse sequer um fiapo de prova de sua participação no negócio.

São claros os indícios não apenas de corrupção, mas de facilitação de cartolas do Corinthians à possível lavagem de dinheiro de terceiros.

A polícia deve ter percebido.

Apesar disso, parte do Conselho Deliberativo do Corinthians, inclusive ‘reservas morais’ autoproclamadas, segue aguardando provas que possam ser mais robustas do que bolsos preenchidos com dinheiro, ingressos ou pulseirinhas de camarotes.

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