Sobre manchas, máfias, gaviões e demais facções criminosas

No último final de semana, estarreceu a todos, sem, porém, surpreender, novo episódio de violência protagonizado pela facção criminosa Mancha Verde, que matou integrante da também bandida Máfia Azul após emboscada.
TODAS as torcidas organizadas do Brasil submetem-se à criminalidade.
Sem exceção.
A utopia do passado não existe mais.
Se alguém ousar se candidatar à presidência destas entidades com bons propósitos, como impedir as brigas generalizadas ou lutar contra o cometimento de crimes, morrerá assassinado.
Esta é a realidade.
O Blog do Paulinho, em determinado período, acreditou que a solução para o problema fosse acabar com as ‘organizadas’.
Hoje não mais.
Seria como enxugar gelo e a renomeação da Mancha Verde, com novo CNPJ, para ‘Mancha Alviverde’ está aí para comprovar.
Se os bandidos quiserem continuar se reunindo, agredindo, matando, assaltando, traficando, entre outras barbaridades, seguirão fazendo, com a anuência e conivência das diretorias das organizadas.
O problema é de segurança pública.
Aos clubes restariam outras opções, desde que houvesse cartolas não associados aos delinquentes – como ocorre no momento, exceção feita, por descordo político, à presidente do Palmeiras.
A principal delas é a retirada dos privilégios.
Engana-se quem acredita que somente os ricos tomaram os lugares dos torcedores mais pobres nos estádios de futebol.
Os ingressos mais baratos, em vez de liberados à população, são destinados às ‘organizadas’, com direito a setor exclusivo, como se proprietários fossem daqueles espaços.
Bastaria direcionar os ingressos para a venda pela internet, aberta a todos, pelos mesmos valores cobrados das facções, e os setores estariam igualmente repletos nos dias de jogos.
Organizados não seriam proibidos de comprar, mas teria que fazê-lo, como todos, pegando a fila.
A prática, pela dificuldade de ocupação de espaço, levaria estes grupos à irrelevância, resultando, a médio prazo, no sufocamento financeiro.
Morte por falta de dinheiro.
No princípio, para evitar tumultos previsíveis, os clubes precisarão reforçar a segurança neste setores; após algum tempo, a normalidade imperará.
Com as ‘organizadas’ enfraquecidas, MP, polícia e Justiça teriam mais facilidade de resolver os problemas.
Igualdade de condições à população e distanciamento dos cartolas com as facções, é o início do caminho para substituição, nos estádios, de bandidos profissionais pelos torcedores mais pobres que, de fato, frequentaria os jogos por amor ao clube de coração.
A festa do futebol não pode ser bancada à partir do sangue, dos vícios, da maldade e ganância dos que se apresentam com os piores hábitos dos seres humanos.
