Parecer da Comissão de Ética do Corinthians e a negociação de Augusto Melo com Tuma Junior

Para surpresa de ninguém, parecer da Comissão de Ética e Disciplina do Corinthians, formada por apoiadores do presidente Augusto Melo, não posicionou-se a favor do impeachment do cartola, mas do atraso do procedimento até que seja finalizado o inquérito que, entre outras coisas, investiga por quais razões dinheiro do clube foi parar em contas dominadas pelo PCC.

Qual o significado e a relevância deste documento para o processo de afastamento do mandatário alvinegro?

Nenhuma.

Trata-se de material consultivo, não deliberativo, solicitado apenas para cumprimento das normas estatutárias do Corinthians.

Servirá, se tanto, de panfleto do Presidente na campanha contra a deposição.

O que decidirá o impeachment é a votação dos conselheiros que, por simples maioria, podem afastar Augusto Melo, temporariamente, já no próximo encontro.

Quando ocorrerá?

Eis o ‘x’ da questão.

Augusto Melo assinou aditivo em contrato com a empresa Alvares & Marsal, que tem Fred Luz como funcionário trabalhando no clube, estendendo a data de corte para possível rompimento por mais 30 dias.

É exatamente o período previsto para que Tuma convoque a reunião do impeachment.

Trata-se de manobra de negociação.

Tuma quer que a empresa seja afastada para que, em troca de ajudar o presidente, receba dele o controle administrativo do Corinthians.

Se isso ocorrer, os capachos que integram o desfrutável grupo ‘União dos Vitalícios’, aproximadamente 40 conselheiros, votarão contra o impeachment do presidente.

Do contrário, estará selado o resultado oposto.

Negócio, simplesmente.

Preocupação alguma com o Corinthians.

Os poderes lutam para não largar as benesses, ou participarem mais delas, em Parque São Jorge.

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