“Caso Lotus”: o novo escândalo do Corinthians

Em 31 de maio de 2022, o Corinthians propôs ação de Rescisão Contratual contra a SPR (Ex-Poá Têxtil), acusando-a de negociar itens de baixa qualidade, sem o selo de autenticidade, que era o controle do clube para recebimento de royalties.

Prática denunciada, há mais de uma década, pelo Blog do Paulinho.

No dia 03 de maio de 2023, a Justiça deu ganho de causa ao clube e o contrato foi rompido; a SPR recorreu, mas o TJ-SP, em 01 de novembro de 2023, ratificou a decisão.

Desde então, a SPR está proibida de vender, ou distribuir, qualquer produto com a marca do Timão.

Para tentar comercializar um estoque de 128.850 peças, avaliado em R$ 14,5 milhões, a ex-parceira do Corinthians socorreu-se dos novos cartolas alvinegros.

Através de empresa sublicenciada, a Lotus Comércio Importação e Exportação de Artigos de Vestuários Ltda, a SPR entrou em contato, no início do ano, com Sérgio Moura, diretor de marketing do Corinthians, para que ele intercedesse pelos seus interesses.

Segundo fonte, a reunião foi realizada, em março, no escritório da Rede Social Media Design, empresa registrada em nome de Alex Cassundé, pivô de polêmica em contrato com a Vai de Bet.

Haveria acerto de ‘premiação’.

Em concretizado o acordo, a SPR, em litígio com o clube, através da preposta ‘Lotus’, lucraria quase R$ 15 milhões em venda de produtos, sem que os royalties (como vinha ocorrendo anteriormente) fossem repassados.

No dia 19 de abril de 2024, Sérgio Moura enviou mensagem em grupo de whatsapp de lojistas da ‘Poderoso Timão’ com a seguinte mensagem:

“Bom dia! Contrato com a Lotus vai ser assinado hoje”

Após comemoração dos lojistas, Moura complementou:

“Acabei de ligar para o Jonathan e alinhar… não foi fácil… mas está resolvido”

Jonathan é o proprietário da Lotus.

Sérgio Moura fechou o negócio, segundo informações, com aval de Augusto Melo e Vinicius Cascone (que teria redigido a minuta contratual), além de testemunho de Marcelo Mariano, vulgo Marcelinho.

Novamente, às costas do Departamento Jurídico.

Mas o excesso de esperteza, ao que parece, acabou por comer os espertos.

Humilhado com o negócio ‘Vai de Bet’, ao qual concedeu aval sob pressão da diretoria, o diretor Yun Ki Lee, desta vez, barrou a manobra.

Diante do empecilho, a Lotus, através da advogada Julia Schulz Rotenberg, em email datado de 06 de maior de 2024, pressionou o Corinthians.

O destinatário era o diretor jurídico Yun Ki Lee, com cópia para Fernando Perino e Celso Xavier,

Dizia a mensagem:

“Caro Yun Ki, entramos em contato CONFORME ORIENTAÇÃO DO SÉRGIO MOURA, do marketing do próprio Corinthians, após intensa negociação entre o Corinthians e a Lotus acerca desse estoque represado”

Relembrando: estoque = R$ 14,5 milhões.

Quinze minutos após, Lee encerrou a discussão:

“Julia, DISCUTIREI INTERNAMENTE COM SÉRGIO MOURA”

“De qualquer forma, por ora, não há nada a ser tratado entre os jurídicos do SCCP e da Lotus”

“Agradeço a compreensão e peço-lhe desculpas por eventual inconveniência”

“Abraços, Yun Ki”

O recado foi claro, assim como o inconformismo do diretor jurídico do Corinthians com o Superintendente de Marketing.

Em 23 de maio, menos de um mês após a troca de mensagens, em meio aos escândalos ‘Vai de Bet’ e permuta de colchões, Sérgio Moura, a pedido de Yun Ki Lee, foi ‘licenciado’ do cargo.

No dia seguinte, o diretor jurídico, no limite da paciência, pediu demissão.

Permanece, porém, calado sobre o que testemunhou.

A Lotus, utilizada pela SPR para fechar acordo com cartolas do Corinthians, à margem do departamento jurídico, é investigada por lavagem de dinheiro e ocultação de bens na ação nº 0500492-96.2019.4.02.5101, em trâmite na Justiça Federal.

Seu proprietário, Jonathan Chahoud Chreim, também.

Agora, com a queda de Yun Ki Lee, o Conselho Deliberativo do Corinthians precisa abrir os olhos diante da possibilidade de novas tentativas de ‘desova’, com auxílio de cartolas alvinegros, de R$ 14,5 milhões em material, desde novembro de 2023, considerado ‘pirata’ pelo clube.

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