A estupidez do discurso de ‘scout’ do Corinthians

Durante as eleições do Corinthians, o então candidato Augusto Melo incorporou a seu limitadíssimo vocabulário o termo ‘pessoas técnicas’, que utilizava, sem moderação, para definir quem estaria a seu lado na gestão.

Era discurso vazio.

Os escolhidos foram os mesmos que estiveram com ele na fracassada administração do Barbarense.

O novo diretor das categorias de base, Claudinei Alves, é ‘técnico’ em logística e também atua no ramo de diversões masculinas.

Nada ligado ao futebol.

Outro mantra incorporado é o de que todas as contratações de jogadores somente serão efetivadas se aprovadas pelo ‘scout’ – que daria a palavra final.

É pouco provável, diante do histórico de espertezas de Augusto Melo.

O próprio profissional escolhido para o departamento é aliado antigo de Fernando Alba, que também intermedeia atletas.

Fora isso, dar a palavra final de uma contratação ao departamento de análise de desempenho seria, por si, tremenda estupidez.

Comprovação da incapacidade de observação de jogadores dos novos cartolas.

Se em 2023 fosse levado em consideração este critério, Moscardo, que era banco do Sub-20 alvinegro, jamais seria alçado à titularidade da equipe principal.

Hoje, em vez de estar às portas do PSG – por R$ 100 milhões – disputaria vaga com algum apadrinhado para a Copa São Paulo de Juniores.

Foi o olhar clínico do treinador Luxemburgo que mudou a história do jogador.

Moscardo não jogaria no Corinthians de Augusto Melo e Rubão se, de fato, o scout desse a última palavra.

Outro exemplo óbvio: como comparar os dados de Cristiano Ronaldo e Halland, como a imprensa vem fazendo, se ambos disputam torneios tão distintos em nível de profissionalismo?

A tecnologia dos dados deve auxiliar, com peso menor, o responsável por escolher a contratação, não servir de juiz para a assinatura do contrato.

Para ser diretor de futebol, o cartola deve ter a capacidade de perceber num atleta em má-fase a possibilidade de evolução.

O lateral Cafu, se avaliado pelos critérios expostos por Rubão/Melo, não seria contratado pelo São Paulo e jamais disputaria uma Copa do Mundo.

Telê Santana enxergou o potencial e trabalhou para lapidá-lo.

Comprovadamente incompetentes (derrubaram Barbarense e Guaratinguetá), os novos gestores do Corinthians parecem utilizar o discurso de ‘scout’ como muleta para desculpas futuras.

Se o time vencer, se colocarão como ‘gênios’; se perder já terão a quem culpar pelo fracasso.

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