Mizael Bispo de Souza escreveu livro bomba na prisão

Mizael Bispo de Souza, condenado pelo assassinato de Mércia Nakashima, foi libertado do presídio de Tremembé após cumprir, entre regimes fechado e semi-aberto (neste caso, sem autorização para trabalhar fora da prisão), quase doze anos dos 21 anos e três meses a que foi apenado.
Agora em Regime Aberto, dormirá em sua residência, com autorização para circular durante o dia no município da moradia.
Terá também que, obrigatoriamente, comprovar ocupação lícita.
Estive com Mizael em Tremembé no ano de 2021.
Ao longo de dois meses, mantivemos frequentes conversas, principalmente na biblioteca do presídio, que, naquele período, estava sob sua responsabilidade.
O ex-policial escreveu um livro – ao qual tive acesso – que, se publicado, levantará questionamentos sobre a atuação do delegado Olim, acusado de manipular provas, e também do juiz, conselheiro do Corinthians, responsável por sua condenação, que teria insinuado redução de pena em troca da exposição do julgamento na TV.
Apontamentos que, se comprovados, seriam gravíssimos.
Factualmente, houve a transmissão ao vivo, com permissão de Mizael, e a sentença do magistrado foi reformada, com acréscimo de três anos, pelo TJ-SP.
Num dos bate-papos, Mizael disse que, fora da prisão, trabalharia para chegar ao parlamento, objetivando defender pessoas que, como ele – segundo alega, seriam vítimas da união entre os interesses de policiais gananciosos com o de comunicadores sensacionalistas.
À época de sua prisão, Olim era delegado obscuro do departamento de desaparecidos; com o caso evoluindo para assassinato, o policial foi alçado ao estrelato, principalmente no programa de José Luiz Datena, conhecido pela parceria com outros agentes da segurança pública.
