Até quando os clubes manterão os privilégios das ‘organizadas’ em seus estádios?

Acontecimentos recentes trazem à tona, novamente, o que ocorre há décadas no futebol brasileiro: as torcidas que se apresentam como ‘organizadas’ envolvidas em descumprimentos de lei e na barbárie.
Estas facções, excetuando a cartolagem, são as únicas privilegiadas nos estádios de futebol.
Os clubes lhes reservam ingressos, setores inteiros em arquibancadas ou numeradas e, por vezes, ainda financiam deslocamentos.
Enquanto isso, o cidadão comum, inclusive os ricos, precisa lutar para ter acesso aos jogos principais.
O Corinthians, por exemplo, chegou ao absurdo de descaracterizar sua Arena, retirando, a pedido dos ‘organizados’, assentos caríssimos, relegando parte dos torcedores ao desconforto.
Há candidato nas próximas eleições do clube prometendo retirar ainda mais, ampliando o espaço destinado a essa gente.
Nos demais estádios do país o privilégio se repete.
Em troca, as agremiações são penalizadas pelas barbaridades cometidas pelos ‘protegidos’.
Este texto não está sendo escrito para pedir o fechamento das ‘organizadas’, mas para que todos os expectadores dos estádios – 90% deles não pertencentes às facções – sejam tratados com igualdade.
Ingressos tem que ser vendidos, para todos os setores, sem reserva pré-determinada de local.
Quem comprar primeiro, leva.
A igualdade deveria nortear, também, os ‘eventos’ em que jogadores, comissão técnica e dirigentes, em seu local de trabalho (CTs e afins) se submetem a serem pressionados por torcedores ‘organizados’.
Abra-se a ‘agenda’ para todos ou cancele-se os ‘privilégios’ dos demais.
Por que somente os ‘organizados’ podem transmitir a imensa sabedoria que possuem aos ídolos de milhões de torcedores que não seriam recebidos se tentassem a mesma abordagem?
O tratamento igualitário resolverá o problema nos estádios e nas sedes dos clubes; já o que ocorre noutros lugares é problema da polícia e do MP-SP, além da Liga das Escolas de Samba – em alguns casos.
