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Corinthians, holofotes e as raposas habituais

Nas últimas semanas, com a abertura da janela de transferências, o Corinthians deixou de lado as promessas de contenção de despesas e amortização das dívidas, que, em conjunto com as do estádio, superam os R$ 2 bilhões, para resolver a vida de seus dirigentes e intermediários.

Diversas contratações foram realizadas, com os agenciadores de sempre, a custo salarial de mercado europeu.

Enquanto isso, no mesmo período, os funcionários mais humildes do Parque São Jorge estão com salários atrasados, assim como os atletas da base, que sequer conseguem receber o mínimo; a ajuda de custo.

Contas e bens do alvinegro estão bloqueados, o que remete a questões interessantes e pouco discutidas, como, por exemplo, de que origem dinheiro do clube estaria sendo movimentado?

Sob evidente doping financeiro, o time de futebol tende a viver momentos vitoriosos, sem, porém, pela falta de planejamento, que se possa ter certeza do que ocorrerá daqui a seis meses.

Trata-se do ciclo de sempre, com o clube se afundando em dívidas, os cartolas resolvendo seus problemas pessoais e a torcida ‘amansada’ pela dose habitual de ‘pão e circo’, ainda que se tenha que pendurar a conta da padaria e também a do ‘espetáculo’.

Em meio ao período de holofotes, as velhas raposas, momentaneamente travestidos de oposicionistas, saem de suas moradas para aproveitarem-se do banquete.

O grupo ‘Liberdade Corinthiana’ assiste, com admiração e passividade, seu líder posando para fotos com as ‘mercadorias’, dentro de uma sala em que obedece ordens de um presidente a quem, até o ano passado, sob testemunho deles, tratava como se fosse ladrão.

Pobre do eleitor que caiu nessa ‘tocaia’.

Notório espertalhão, o ex-diretor de finanças Raul Corrêa da Silva, no facebook, comparou o atual momento do departamento de futebol alvinegro com o do Barcelona, a quem exalta, sistematicamente, desde os tempos em que visitou a equipe catalã e inventou uma ‘parceria’, nunca efetivada, entre os clubes.

“Uma das coisas que ouvimos e aprendemos com o Barcelona foi ter poucos, bons e time para sempre estar entre os quatro primeiros”

Contratações pontuais e não em quantidade.

Cumprir orçamento e ser transparente.

Assertividade e austeridade somadas a resultados, geram credibilidade e consequentemente receitas.

Estou muito satisfeito com o que estamos vendo nessa gestão”

Não há dúvida da satisfação de Raul com o comportamento da gestão, principalmente no que diz respeito a sua peculiar interpretação de ‘cumprir orçamento’, “ser transparente’, ‘austeridade’ e ‘credibilidade’, facilmente observáveis nos inquéritos em que responde sob acusação de cometimento de crimes fiscais.

O cartola esqueceu-se, porém, que o Barça, após sucessivos anos de descontrole administrativo, além de falcatruas nas contratações de jogadores, teve seus dirigentes presos e enfrenta o maior caos financeiro de sua história, a ponto de perder o melhor jogador do mundo para o PSG.

Qualquer semelhança com o Corinthians, que arrecada bem menos do que os catalães, não é mera coincidência.

Nesse contexto, o sonho de ver o Timão administrado de maneira profissional segue distante.

Os que dominam o poder, há quase uma década e meia, em grande parte, comportam-se como bandidos, quase sempre acobertados pela ‘gente de bem’ que se reúne no afamado ‘senadinho’ ou da ‘Confraria dos Churumelas’.

Apresentando-se na condição de alternativas, sobram novos abutres, todos esfomeados pela mesma carniça.

Enquanto isso, conta-se nos dedos os que, efetivamente, pensam mudanças, mas são impedidos de agir por um sistema corrompido, sujo, que precisa manter-se ativo para garantir o sustento dos que sobrevivem do clube.

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