CBF desmoralizou campanha anti-racista na largada

Semanas antes da partida entre Brasil e Guiné, o presidente da CBF, no dia da convocação da Seleção, disse ter testemunhado racismo na sede da entidade.
Estavam lá apenas pessoas credenciadas – jornalistas, cartolas e seguranças, além de funcionários.
Ednaldo Rodrigues nunca revelou, efetivamente, o que viu, escutou e, principalmente, o autor das ofensas.
Era mentira?
Ontem, enquanto o presidente da CBF, novamente, buscava holofotes ao se posicionar, indevidamente, no banco de reservas da Seleção, bem no momento do hino nacional, ou seja, com a certeza de ser flagrado pelas câmeras, o melhor amigo de Vini Jr., o responsável, por coragem, pela temática da partida, era agredido nos bastidores por um segurança do estádio, racista, que lhe apontou, como se fosse arma, uma banana.
A Rede Globo flagrou a ofensa e, consequentemente, todos ficaram sabendo, na mesma hora, do ocorrido.
O slogan da CBF, proposto somente após Vini Jr. – que é astro internacional, denunciar racismo, não em meio a ataques pretéritos sofridos por atletas brasileiros sem a mesma relevância, diz, textualmente:
“Com racismo não tem jogo”.
Não só a partida foi disputada como nada se falou a respeito até após o apito final.
A CBF conseguiu, desta maneira, desmoralizar a campanha anti-racista logo na largada, porque dela, aparentemente, só participaram com o coração os jogadores convocados pela Seleção nacional.
Não importa o que venha a ocorrer na sequência, como a provável punição ao preconceituoso segurança espanhol, mas o procedimento que estava às mãos da Casa Bandida, e que Ednaldo, seja por ausência de coragem ou de efetivo comprometimento com a causa, deixou de executar.
Seria histórico; acabou lamentável.
