Nova iluminação do estádio do Corinthians custará R$ 3,2 milhões

Em agosto de 2012, o Corinthians anunciou que o estádio de Itaquera seria inaugurado com a melhor iluminação do planeta, utilizando-se de tecnologia da empresa alemã OSRAM.
Desde então, sempre foi a obra mais elogiada da Arena.
Apesar disso, em 16 de março de 2023, na mesma Assembleia Geral em que o Timão avalizou as contas entre 2016 e 2021 do Arena Fundo FII – que contém dívida de R$ 100 milhões em calotes do clube em repasses de ingressos (não listada no balanço alvinegro), a substituição da iluminação foi aprovada.
O custo será de R$ 3,2 milhões, a serem pagos pelo alvinegro.
Todas as decisões foram avalizadas pelo departamento jurídico do Corinthians, com visto, na ata, do advogado Herói Vicente.
As justificativas para a troca do sistema de iluminação e também da empresa fornecedora – o trabalho ficará a cargo da ‘Signify Iluminação Brasil’ – são conflitantes.
Na Assembleia, foi discriminado “aumento dos níveis de luz e cumprimento da norma Conmebol”, que já eram acolhidos pela versão anterior.
À imprensa, o clube disse que as novas luzes garantiriam ‘economia’.
Trata-se da mesma justificativa utilizada em 2012, quando da implementação do sistema utilizado na Copa do Mundo, conforme comprovamos com link de nota oficial do Corinthians:

Aviso de Pauta – Arena Corinthians terá a melhor iluminação do mundo
É estranho que a ‘melhoria’ não conste na ata da Assembleia.



Detalhes sobre o novo parceiro do estádio do Corinthians
A ‘Signify’, ex-Philips Lighting, apontada como referência no mercado, responsável, também, pela troca de iluminação do estádio do Palmeiras, é comandada por Daniel Tratini.
Sobre ele existem graves suspeitas.
Em 2017, Denise Abreu, ex-diretora do Departamento de Iluminação da Prefeitura de São Paulo (Ilume) na gestão Dória, foi flagrada, supostamente, pedindo propina em conversa com representantes da ‘FM Rodrigues’.
A conversa pode ser conferida neste link:
Logo após a reportagem, exibida pela CBN, Denise foi exonerada.
A título de curiosidade, a ex-diretora de iluminação, anteriormente, foi assessora jurídica do ex-deputado José Dirceu, que tem uma filha em cargo de comando na Arena de Itaquera.
O ‘esquema’ de pagamento, segundo as investigações, seria facilitado por doações de empresas, fora da licitação (que poderiam ser o disfarce das propinas), à Prefeitura, através de contratos vigentes com empresas ganhadoras.
Em 2017, uma das doadoras foi a ‘Philips Lighting’ (nome anterior da Signify), através de contrato de iluminação pública administrado pela FM.
Seu gestor também era Daniel Tratini, o mesmo que cobrará R$ 3,2 milhões para trocar as lâmpadas do estádio do Corinthians.

O Blog do Paulinho teve acesso a um dos ‘termos de doação’, referentes à ‘Ponte Estaiada’:
Termo de doação Philips – Prefeitura de São Paulo
A ‘generosidade’ da ‘Philips’ foi questionada em ação popular, datada de 09 de março de 2017:
Ação Popular – investigações sobre doações à Prefeitura de SP
O caso está sub-judice, no STJ.
Tatini teve problemas, também, com o Banco Central do Brasil.
Em 26 de abril de 2017, justamente no período do ‘rolo’ das suspeitas em negócios com a Prefeitura de São Paulo, o empresário foi condenado por não informar, dentro do prazo legal, “bens e valores que possuía fora do território nacional”.

OUTRO LADO
Nota de esclarecimento
A Signify esclarece que o contrato celebrado com a Neo Química Arena para a troca de iluminação do estádio seguiu todas as etapas normais de um projeto, com discussões técnicas e comerciais até sua conclusão, sempre em bases rígidas de Compliance da companhia. O novo projeto garantirá ao clube eficiência tanto em níveis superiores de iluminação quanto em economia de energia.
A empresa afirma, ainda, que são falsas as acusações envolvendo a empresa e o executivo Daniel Tatini, profissional com ampla experiência no Brasil e no exterior. O executivo nem sequer atuava na subsidiária brasileira da empresa quando ocorreram todas as discussões técnicas e comerciais do contrato, tendo apenas participado da conclusão do projeto. Ainda, não há qualquer investigação, processo ou decisão judicial em desfavor de ambos.
Para que não reste dúvidas e a título de esclarecimentos:
– Doação Prefeitura: a empresa doou equipamentos para a Prefeitura de São Paulo iluminar a Ponte Estaiada em 2007. Desde então, diversos desses equipamentos foram furtados e, em 2016, a pedido da gestão municipal, a companhia fez nova doação com o estoque remanescente em troca de exploração de publicidade, ou seja, uma permuta sem qualquer envolvimento de recursos financeiros, inexistindo, portanto, “esquema de pagamento” como publicado;
– Ação Popular: A Signify e muito menos o executivo Daniel Tatini figuraram no polo passivo dessa ação, ou tampouco foram investigados pelos fatos nela tratados. A ação popular ainda foi julgada improcedente em primeiro grau tendo a sentença sido mantida em segunda instância, e já transitado em julgado.
– Banco Central: A matéria ainda cita, erroneamente, como “condenação” o fato de o executivo ter atrasado a entrega da declaração de bens e valores que possuía fora do País. O que houve foi apenas uma simples questão administrativa, rapidamente solucionada e, como consequência, a aplicação de uma multa de valor irisório pelo atraso, comum em situações como essa, porém impróprio e irresponsável falar em “condenação”.
Diante desses esclarecimentos, a acusação da “existência de graves suspeitas” não tem qualquer fundamento, e tanto a empresa como o executivo Daniel Tatini se colocam à disposição para quaisquer outras informações.
Assessoria de Imprensa – Signify Brasil
