A folha corrida do bando que pretende administrar o Corinthians

Nas próximas horas, o Parque São Jorge será palco de novo evento ‘boca-livre’, bancado pelo agente de jogadores Augusto Melo, que lançará candidatura à presidência do Corinthians, cercado de apoiadores suspeitos, alguns deles seus sócios em empreendimentos recentes.
Estes também tentarão vaga no Conselho, com promessa de cargos mais relevantes em caso de vitória no pleito.
O currículo de Augusto, assim como destas pessoas, é preocupante.
Há desde sonegação fiscal, passando por agressão a mulher, suposta tentativa de feminicido, acusação de furto e até de homicídio, sem contar interessante evolução patrimonial de um delegado de policia.
A seguir, o que descobrimos deste bando.
Em 15 de abril de 2015, o agente de jogadores Augusto Melo, candidato a presidente do Corinthians, foi condenado, por decisão da 9ª Câmara de Direito Criminal de São Paulo, a dois anos, dez meses e 20 dias de reclusão, em regime aberto, mais treze dias multa, por ‘crimes contra a ordem tributária, em continuidade delitiva’.
“Deram integral provimento ao recurso ministerial para condenar AUGUSTO PEREIRA DE MELO, RG. 15.xxxxx, filho de Edgard Pereira de Melo e de Maria Joana de Melo, pela prática de crimes contra a ordem tributária, em continuidade delitiva, às penas de dois anos, dez meses e vinte dias de reclusão, mais treze dias-multa”.

A pena, posteriormente, foi substituída por prestação de serviços a comunidade, além de pagamento de cesta básica à entidade assistencial.
Detalhes sobre o crime e a condenação podem ser conferidos no link a seguir:
Recentemente, Augusto se juntou com alguns sócios e, apesar de suas recentes declarações de Imposto de Renda indicarem renda mensal menor do que a metade do salário mínimo, abriu a ‘Arena Tatuapé’, mix de barzinho com quadras de jogos de areia.

Nos três CNPJs que operam no local, os sócios são: Augusto Melo, Valmir Costa, Carlos Eduardo Melo Silva, Dilermano Queiroz Filho, Leonardo Ramirez Soares e Marcelo Eduardo Rodrigues Sales.
Valmir – que divide jogadores com Augusto – e Carlos Eduardo são conselheiros do Corinthians; Leonardo Ramirez é conhecido no ramo da construção.
O delegado Dilermano possui patrimônio, aparentemente, conflitante com a remuneração policial.
Em seu nome, somente para citar empresas, está o Colégio Comercial Brasil de Vila Carrão (com 3 CNPJs distintos no mesmo endereço), a Associação Portuguesinha, a Idincorp Empreendimentos Imobiliários e dois CNPJs da Arena Tatuapé, entre os quais o sugestivo Assessoria Esportiva Tatuapé, que assina com Valmir Costa.
Todos concorrerão, apoiados por Augusto, nas eleições do Corinthians.
Um deles, porém, se ganhar, poderá não levar.
Trata-se de Marcelo Sales, o Ninja, membro dos Gaviões da Fiel, que será julgado, ainda este ano, pelo Tribunal do Júri, após ser colocado por duas testemunhas na cena do assassinato de um torcedor do Palmeiras.

A motivação do crime, segundo o MP-SP, seria vingança.
Em abril de 2012, pouco após o homicídio, Ninja teve a prisão temporária decretada, mas não foi localizado pela polícia, sendo considerado foragido:

Na sua residência foram apreendidas algema, faca e diversos ingressos do Corinthians.

Vanessa, irmã de Marcelo Sales, em depoimento à 4ª Delegacia do DHPP, declarou que ele estava respondendo a diversos processos; um deles por flagrante de FURTO.

Logo após ser pronunciado por homicídio, mas conseguir, através de HC do STJ, o direito de responder em liberdade, Marcelo Sales reapareceu.

Não é pequena a folha pregressa de Ninja, principalmente no que diz respeito às acusações de agressões à companheira.
Ao menos em três oportunidades a mulher registrou Boletim de Ocorrência.
Em 12 de julho de 2007, a PM conduziu o sócio de Augusto Melo ao 9º DP de Guarulhos, sob acusação de tentar esganar a ex-esposa, a quem supostamente havia agredido aos socos; em tese, tentativa de feminicidio.

Dois dias antes, a ex-esposa já havia registrado Boletim de Ocorrência por ameaça:

Pouco mais de dois anos após, Ninja voltou a agredir a mesma vítima:

Marcelo Sales foi flagrado noutro ato de covardia, em 01 de abril de 2000, quando, aliado ao bando dos Gaviões da Fiel, participou de briga generalizada com direito a feridos por arma de fogo, além de revolver encontrado com numeração raspada.


Outra confusão, desta vez em briga que destruiu patrimônio da lanchonete Habbis, em 2002, levou Ninja a ser levado por PMs à delegacia:

É esse ‘Dream Team’ que fala em moralização e modernização do Corinthians.
Não bastassem as negociatas com jogadores e, por razões óbvias, o desmoralizado discurso de combate à corrupção, não será fácil a Augusto Melo explicar, num clube que diz respeitar ‘as mina’, o acolhimento a possível homicida que, além disso, é notório agressor de mulher.
