As limitações de Glenn Greenwald

Glenn Edward Greenwald, jornalista americano, já era consagrado na profissão quando entrou para a história brasileira com as reveladores reportagens, publicadas no ‘The Intercept Brasil’, que desnudaram o conluio de promotores e juízes federais, ligados à Operação ‘Lava-Jato’, contra o ex-presidente Lula.

Não fosse por estas matérias, o país estaria ainda sequestrado pelo bolsonarismo.

Máscaras caíram e a verdade acabou por nos livrar da opressão.

Por conta deste trabalho jornalístico, factual, não opinativo – embora, por vezes, intercalados por comentários -, Greenwald foi alçado à celebridade da esquerda brasileira.

Nos últimos dias, o ‘herói’ vem sendo criticado.

Em vez de reportagens, Glenn se meteu a opinar sobre a liberdade de expressão no Brasil, porém, com a visão turvada pelo modelo americano.

E tem errado.

Ao confundir golpistas com manifestantes, marginais da imprensa com influenciadores censurados e aplicação da Lei com ativismo, Greenwald revela-se, como já havia ocorrido noutras oportunidades, intelectualmente limitado, a ponto de não ponderar o óbvio diante de tamanha barbárie.

Nem sempre o bom repórter, que sabe trabalhar fontes e materiais que embasam matérias relevantes, como ocorrido na ‘Vaza-Jato’, é também grande analista, e, por vezes, necessita de auxílio para entender o que possui em mãos.

Será que a série de reportagens que livrou o Brasil do caos seria interpretada com a perspicácia reconhecida sem o auxílio dos demais veículos de comunicação que se juntaram a Gleen e ao combativo ‘The Intercept’ na avaliação?

Tenho minhas dúvidas.

Talvez pelo tamanho atingido na profissão, o erro maior de Gleen seja o de tropeçar na soberba, que o tem impedido de ponderar seus pensamentos com fontes tupiniquins relevantes, entre jornalistas, intelectuais e políticos, aos que tem, por óbvio, fácil acesso.

Em vez disso, tem conversado, e cedido espaço, apenas aos os que avalizam seu raciocínio, erro crasso que um jornalista importante, combativo e corajoso jamais poderia se dar ao luxo de cometer.

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