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Blog do Paulinho

O fantástico mundo de Pato

Alexandre Pato publicou texto no conceituado “The Players Tribune’, com o sugestivo título ‘o que realmente aconteceu com o Pato’.

Parte da imprensa deu destaque aos assuntos que gerariam mais manchetes, como a passagem pelo Corinthians, etc.

Nós preferimos as entrelinhas.

Detalhes que acabam por explicar, ainda que paralelamente, o fracasso no futebol de quem surgiu, ainda menino, como grande promessa mundial do esporte.

Mente sã, corpo são.

Definitivamente, no caso de Pato, o cérebro era o grande marcador do talento.

Destacamos alguns trechos para avalição do leitor:


O meu pai tinha um fusquinha. Ninguém chegava na escola num fusquinha. Eu pedia para ele me deixar a algumas ruas antes do portão.

“Por que, filho?”, ele perguntava.

A minha resposta era: “Hm, os meus amiguinhos estão aqui”. Não tinha ninguém.

Uma vez eu estava chegando na entrada, e uma menina disse: “Então você tem um fusquinha?! Hahahahahahahahaha”.

Caraca, que saco.


Quando chegou o grande dia do teste no Inter, oportunidade de uma vida, foram nove horas de viagem de Pato Branco a Porto Alegre. Na chegada à cidade, o meu pai percebeu que não teria condições de pagar um quarto de hotel.

O que ele fez? Escolheu um motel.

“Filho, esse é o único lugar que conseguimos pagar.”

A minha reação foi: “Tudo bem, pai.”

HAHAHAHAH. Cara, eu não tinha ideia. Eu era muito novo para entender o que era aquele lugar. Nosso quarto tinha uma cama pequena e só. O motel ficava na frente do Beira-Rio, então as pessoas podiam transar olhando para o estádio.

Até hoje eu ainda brinco com o meu pai sobre essa história. Se isso acontecesse hoje ele provavelmente iria para a cadeia.


Faltou ambição para mim? Falavam isso por causa do meu jeito de correr. Mas quem realmente sabe isso? Deus me fez correr dessa maneira. Não consigo mudar.

Queriam que desse carrinho. Queriam sangue, suor e lágrimas.

As lágrimas eles acertaram. Paguei um preço alto.


Liguei para o Bonera, com quem eu havia jogado no Milan e que estava no Villarreal. “Bony, você acha que eles teriam o interesse?”

Bom, o Marcelino, então treinador, me ligou, ofereceu as condições e poucos dias depois eu estava a caminho da Espanha. OPA! Eu mesmo resolvi a minha transferência.

Contatos. Relacionamentos. É assim que o futebol funciona.


Cara, que surpresa. A Bíblia tinha todas as respostas que eu estava procurando há anos. Olhei para o céu e falei: “Senhor, não quero mais aquela vida”.

Naquele dia tudo mudou para sempre.


Ainda acredito que posso disputar uma Copa. Veja o Thiago Silva e o Dani Alves jogando bem aos 37 e 39 anos.

Mas essas coisas acontecem no tempo de Deus. Eu vivo o hoje. O resto é com Ele.

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