Moro e o hábito da fraude

Ontem, o MPE-SP indiciou o ex-ministro bolsonarista Sérgio Moro e sua ‘conje’, Rosana, sob acusações de fraudes ao domicílio eleitoral, supostamente cometidas ao transferirem seus títulos do Paraná para São Paulo.
A íntegra do despacho pode ser conferida no link a seguir:
Sérgio Moro indiciado por crime eleitoral
Em resposta, Moro publicou:
“Nada há de ilegal com meu novo domicílio eleitoral. É um direito de todo brasileiro mudar. Sem problemas, prestarei todas as informações necessárias. Agora, é estranho esse questionamento enquanto a candidatura de um condenado em 3 instâncias seja tratada com naturalidade”

No estilo ‘Serginho Malandro’, Moro, como de hábito, distorceu a realidade.
O brasileiro tem direito de mudar, desde que não objetivando vantagem ilícita com a manobra.
Recentemente, o ex-treinador V(W)anderlei(y) Luxemburgo foi condenado à prisão pelo mesmo crime do qual o ex-juiz está sendo acusado.
Moro tenta ainda, na mesma frase, comparar sua situação com a de Lula – a quem, covardemente, sequer tem coragem de nomear.
Por óbvio, quer desviar o foco.
O ‘The Intercept’ trouxe à tona, e a Justiça chancelou, o envolvimento ilegal do então juiz federal com a promotoria, num conluio para condenar o ex-presidente Lula, que liderava, à época, as pesquisas eleitorais à Presidência da República.
Os desdobramentos são conhecidos: todos os processos foram anulados e Moro, que havia se beneficiado obtendo cargo de Ministro, promessa de indicação ao STF e emprego em empresa americana, perdeu tudo.
Chutado por Bolsonaro – com quem dividirá espaço na lata de lixo da história, sem credibilidade, agonizante com o fracasso que lhe subiu à cabeça, o líder da facção ‘Lava-Jato’ vaga, como fantasma, implorando para ser candidato a qualquer coisa.
Em vez da sonhada cadeira presidencial, dependendo dos desdobramentos de algumas investigações (talvez não apenas na Justiça Eleitoral), o desesperado Moro poderá ‘conquistar’ a própria condenação, não em três, mas em quatro instâncias.
A diferença é que elas serão, se ocorrerem, embasadas em provas e não apenas suspeitas ‘convicções’.

Quem deveria estar preso é ele, por ter participado (não acredito que foi ele que criou a lava jato, pois não tem inteligência suficiente) da maior falcatrua jurídica do mundo. Tudo legalizado, amparado tanto pelo judiciário brasileiro qto pelas demais instituições e a mídia interesseira.