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Blog do Paulinho

Repúdio à Covardia: carta aberta a Octávio Costa

Por CID BENJAMIN

No debate entre os dois candidatos a presidente da ABI, Cristina Serra e Octávio Costa, realizado no último dia 5, fui alvo de uma dezena de ataques pessoais deste último, que se aproveitou do fato de eu não estar presente para me agredir de forma obsessiva.

O nome disso é covardia.

Cristina Serra e Helena Chagas – as candidatas da Chapa 1 – ABI: Democracia e Renovação – têm desenvolvido uma campanha propositiva, sem revidar as baixarias da oposição, que afastam muitos colegas da entidade. Esse comportamento delas conta com a minha concordância. Mas, diante dos ataques pessoais de Octávio, revolvi não me calar.

No debate, apoiadores do candidato de oposição, cuja chapa tem pessoas de valor, agiam como se estivessem num programa de auditório. Condizentes com o comportamento agressivo de Octávio, em muitos momentos faziam comentários grosseiros. Foi patético. Até mesmo a esposa do candidato, que não é jornalista, fazia parte da claque.

O nome disso é falta de noção do ridículo.

E há as inverdades. Ao contrário do que afirma Octávio, ele não participou da campanha de 2019, que levou a atual diretoria à direção da entidade. Eu, pelo menos, nunca o vi. Na charge de Paulo Caruso feita na época e publicada aqui, retratando 15 ativos apoiadores e candidatos da chapa, ele não aparece. A charge poderia até ter a legenda: “Onde está Octávio Wally?”

O nome disso é uso da mentira.

Quando Octávio afirma, em tom de acusação, que a ABI esteve às moscas no último período, esquece a pandemia com que a atual gestão teve que conviver desde o início. E omite que, mesmo com ela, a diretoria e a maior parte de suas comissões mantiveram o funcionamento, ajudando a levantar a entidade e permitindo no fim de seu mandato um balanço altamente positivo

O nome disso é manipulação.

O candidato da oposição esquece também que, pouco antes de iniciada a pandemia, foi realizada uma gigantesca manifestação de apoio ao jornalista Glenn Greenwald – o maior ato político da ABI em sua história. Fomos até obrigados a instalar telões na parte externa do prédio, de onde saíam filas que dobravam quarteirões. Octávio não esteve na convocação ou na organização do ato. Nem sei se estava presente. Talvez por isso tenha citado como organizador do evento um apoiador seu que se distingue por aborrecer diuturnamente associados com telefonemas repetidos, mas que não ajudou em nada no ato. Só foi visto quando, sem ser convidado, como um penetra sentou-se à mesa no momento em que Chico Buarque saiu, deixando uma cadeira vaga.

O nome disso é falsificação da história.

Não é verdade que o grupo da situação tenha rompido conversações para a busca da unidade na eleição. As relações se deterioraram quando o grupo de Octávio, tentou sem conseguir, mudar o estatuto retirando qualquer poder da Diretoria. Esta deixaria de ser um órgão deliberativo, mesmo em relação às questões claramente de sua alçada (o Cap.V, artigo 7 do projeto não aprovado, definia como instâncias de deliberação da ABI apenas a Assembleia Geral e o Conselho Deliberativo). Com isso, a Diretoria ficava proibida de deliberar sobre qualquer assunto. A proposta do grupo de Octávio proibia ainda que o presidente da ABI votasse nas reuniões de Diretoria, a não ser em caso em empate (artigo 18) e esvaziava as atribuições do vice-presidente, retirando de suas atribuições a direção das comissões de Defesa da Liberdade de Expressão e de Imprensa e de Direitos Humanos.

Com inteligência política, os associados sequer deram quórum à Assembleia Geral.

O nome disso é golpismo.

O que esse grupo tentou fazer se assemelha ao que anuncia hoje o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, com seu “semipresidencialismo”. Lira quer que o Congresso, que ele controla por meio do Centrão, passe a governar por cima do próximo presidente eleito. Octávio e seu grupo queriam esvaziar a Diretoria para que o Conselho Deliberativo – cujas reuniões podem ter a participação de até 90 membros, 45 titulares e outros tantos suplentes – dirigisse a ABI no seu dia a dia. Chegou a afirmar no debate que seria mais democrático.

O nome disso é demagogia.

Tampouco é verdade que a candidatura de Cristina tenha saído do bolso de colete de algum diretor, ou que as consultas sobre seu nome tenham atropelado a busca da unidade. Antes de Cristina ser lembrada, a oposição se reunia há meses sem o conhecimento de quem não era de seu grupo e já tinha sondado outros nomes para concorrer à presidência, inclusive Juca Kfouri.

O nome disso é hipocrisia.

Não à toa o grupo de Octávio não se assume abertamente como oposição e alguns de seus integrantes usam um eufemismo e se referem à “nossa chapa, que não é a da situação”. Além de inventar um movimento inexistente, que era apenas o nome da chapa em 2019.

Não se pode admitir, ainda, que Octávio desconheça duas das vitórias mais recentes da ABI – só para ficar nelas.

A primeira, no Judiciário. Graças a uma ação da entidade – uma dentre as dezenas de outras impetradas pela ABI, parte das quais vitoriosa – o Conselho Nacional da Justiça aprovou recomendação aos juízes para que não permitam o assédio judicial, a perseguição aos jornalistas. O que têm a declarar a respeito Octávio e seu grupo?

Nesta semana, a ABI integrou também uma vitoriosa mobilização nacional do setor cultural para liberar da censura o filme “Como se tornar o pior aluno da escola”. A decisão foi resultado de uma ação judicial da ABI. O que acha disso Octávio?

E o que tem a dizer o grupo de oposição quando, antes, a ABI, ao lado de entidades democráticas, esteve na linha de frente da mobilização pelo impeachment do atual presidente e, depois, dos ex-ministros Eduardo Pazzuelo e Marcelo Queiroga pelas suas criminosas gestões no enfrentamento da pandemia da Covid? Ou sobre a denúncia contra o procurador-geral da República, Augusto Aras?

O nome disso é amnésia deliberada.

Octávio já andou se apresentando como portador de um passado de lutas pela democracia e pela justiça social. Não serei eu a desmenti-lo. Pode ser uma verdade da qual não tive conhecimento. Mas, decididamente, isso não dá a ele o direito de agir de forma covarde, atacando no plano pessoal gente que não está presente para se defender.

Por isso, esta carta aberta a ele.

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