Verdades sobre Cruzeiro e Fábio

O desligamento do goleiro Fábio, ídolo maior do Cruzeiro, nos termos em que ocorreu, demonstra, inequivocamente, a falta de preparo para lidar com a paixão inerente ao futebol da nova gestão da agremiação.
“Ah! Mas agora a visão é empresarial, visando lucro”, justificam alguns.
Eis o ponto.
Ronaldo não entendeu ainda que ao comprar um clube, ainda mais do tamanho e história do Cruzeiro – que ele deveria conhecer como poucos, oriundo da Toca da Raposa que é -, administra-se, principalmente, a paixão do torcedor que, no contexto atual, é o consumidor a quem sua empresa precisa agradar.
Fábio é, para o cruzeirense, ativo inegociável.
O goleiro, que, a bem da verdade, nunca foi flor que se cheire nos bastidores da bola, razão pela qual a Seleção Brasileira sempre descartou aproveitá-lo, apesar disso – e não é pouco, merece respeito pela trajetória e, principalmente, por figurar como herói no imaginário do torcedor.
Levando para o lado da SAF: quanto o Cruzeiro está perdendo de dinheiro ao deixar de contar com Fábio numa possível retomada à primeira divisão do Brasileirão que, por óbvio, resultaria em venda de produtos atrelados ao goleiro e, muito provavelmente, um Mineirão lotado para o merecida partida de despedida?
E no histórico jogo nº 1000, com direito a venda de camisa e demais artefatos atrelados?
Essas arrecadações, por si, seriam suficientes para, ao menos, aproximarem o clube da quitação do calote, vergonhoso, que o atleta vem sofrendo, há anos, em seus vencimentos, avaliado, no momento, em R$ 10 milhões.
Dinheiro que, pós desacordo, deverá ser cobrado acrescido de todas as correções possíveis no futuro, elevando ainda mais a bobagem cometida.
Grande jogador de futebol, Ronaldo nunca foi bom gestor.
A 9INE, empresa de publicidade a que emprestou o nome, faliu e deixou muitos problemas cíveis e trabalhistas pelo caminho; o Valladolid caiu para a segunda divisão e encontra dificuldades para se manter no grupo de acesso.
O Cruzeiro saiu das mãos de um grupo de intermediários complicado para se vender a uma aventura desmedida, avalizada pelo que Ronaldo fazia nos gramados, sem análise profunda do comportamento nada ‘fenomenal’ que o cerca nos bastidores da bola e da vida.
