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Blog do Paulinho

Condenação de Nuzman é só mais um triste capítulo de corrupção

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Mantenho acesa a esperança de ver o esporte dirigido por gente limpa e competente

Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange morreu em desgraça três meses depois de completar 100 anos, obrigado a renunciar ao posto que mantinha no Comitê Olímpico Internacional e ao título honorífico de presidente de honra da Fifa.

Seu discípulo, e fã declarado, Carlos Arthur Nuzman, 79, acaba de ser condenado a 30 anos de prisão pelos maus feitos em torno dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Recorrerá.

Nuzman presidiu o Comitê Olímpico do Brasil entre 1995 e 2017, quando acabou preso pela Polícia Federal e renunciou.

Antes, o ex-genro de Havelange, Ricardo Terra Teixeira, 74, também teve de renunciar ao cargo que ocupou entre 1989 e 2012 na presidência da CBF, pego no escândalo do Fifagate e não pode sair do país.

José Maria Marin, 89, o sucedeu, preso nos Estados Unidos, pelo mesmo motivo, também renunciou em 2015.

Quem o sucedeu foi Marco Polo Del Nero, 80, cujo destino e pelas mesmas razões, outro impedido de viajar para fora do Brasil, teve de renunciar ao cargo no Comitê Executivo da Fifa, acabou banido do futebol, mas ainda fez o sucessor na CBF, em 2018.

Este, Rogério Langanke Caboclo, 48, está afastado da presidência por assédio moral e sexual.

Que a rara leitora e o raro leitor sejam poupados dos prontuários de cartolas menores nas confederações e federações do judô, da natação, do vôlei, basquete, tênis, atletismo, assim como nos maiores clubes brasileiros, sem nenhuma, repita-se, nenhuma exceção.

Dos ditos 13 maiores clubes do país, todos têm ou tiveram presidentes às voltas com casos cabeludos de corrupção.

Porque o esporte se presta, como poucas áreas de atividade, por se valer da intangibilidade das quantias que o envolvem, à lavagem de dinheiro e às comissões por baixo do pano.

Quanto vale um craque? E um gênio? E contratos de transmissão de grandes eventos? Ou um estádio, quanto custa mesmo?

Daí a pouca alternância do poder, porque quem chega ao topo da pirâmide da superestrutura do esporte não quer largá-lo por nada.

Basta dizer que o COB, onde Nuzman reinou por 21 anos, oficialmente fundado em 1935, teve apenas oito presidentes em 86 anos.

Isso que um deles, o Almirante Áttila Aché permaneceu apenas dez meses no posto, em 1963, substituído pelo Major Sylvio de Magalhães Padilha, o recordista, que por lá ficou durante 27 anos.

Havelange, o “capo di tutti capi”, permaneceu como chefão do futebol por aqui durante 17 anos e Teixeira por 23.

Difícil dizer se o que mais os inspirou foi o poder ou o dinheiro, ou ambos, mas, no caso dos dois, uma coisa é certa: jamais gostaram de futebol.

Já Nuzman jogou vôlei, disputou a Olimpíada de Tóquio, em 1964, e transformou seu esporte no segundo mais popular do Brasil quando presidiu a CBV.

Perdeu-se na ganância e na arrogância.

E permita-me um desabafo: não me queixo de ter sido processado diversas vezes, mais de uma centena, por Teixeira, Nuzman e Marin, porque é jogo jogado.

Faz parte do ofício publicar o que os poderosos não querem ler, mesmo que sem adjetivos, e responder pelo publicado.

O doloroso foi, às vezes, por raras que tenham sido, ver juízes darem razão às velhacarias.

Festejar condenações ou prisões está longe de ser meu esporte preferido.

Manter acesa a esperança de ver o esporte dirigido por gente limpa e competente são outros 500.

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