O triste fim de Nelson Piquet

Nunca tive dúvidas em apontar o melhor piloto brasileiro de todos os tempos, um dos maiores do Planeta – se não o maior: Ayrton Senna da Silva.
Isso não me impediu de exaltar o talento de Nelson Piquet, o segundo.
Pessoalmente, apesar de, à época em que eram esportistas, saber deles apenas o que era noticiado (eu ainda não era jornalista), tinha simpatia por Senna e um sentimento quase de dó pela evidente amargura de Piquet, apesar de, nitidamente, exalar ausência de caráter.
Teria sido dele, segundo consta, a origem do boato sobre a suposta homossexualidade – como se fosse demérito, de Ayrton.
É fato que a Rede Globo preferia Senna do que Piquet, que, diante disso, nunca perdeu a oportunidade de cutucá-la.
Porém, nada desnudou mais o amargurado piloto do que a proximidade com Bolsonaro.
Ela, em si, já diz muito.
Fomentado pelo discurso bolsonarista, Piquet, além de emprestar a imagem ao Genocida – que passou a tratá-lo, em diversos palanques, na condição de amigo -, para agradá-lo tem sacado a expressão ‘GloboLixo’ de seu limitado repertório de palavras.
Fosse apenas pela ‘dor de corno’, por ter sido tratado como inferior a Senna pela emissora e por vê-la denunciar as falcatruas de seu filho Nelsinho, humilhantemente expulso da Fórmula 1, seria, dentro do contexto da incultura de seu comportamento, até compreensível, embora, evidentemente, criticável.
Mas não é.
Piquet utiliza seu trauma como pano de fundo para beijar as mãos e pés sujos de sangue de um psicopata.
Ontem (07), ao servir de chofer para os delírios de um assassino – o maior da história brasileira e um dos mais relevantes do Planeta -, o ex-piloto comprovou sua má-índole e fez trocar nos civilizados que ainda o admiravam (por conta das realizações nas pistas de F1) os sentimentos de carinho e idolatria pelo de absoluta repugnância.
EM TEMPO: Nelson Piquet é filho do médico pernambucano Estácio Gonçalves Souto Maior (1913 e 1974), deputado federal cassado pelo AI 5, o que, por óbvio, evidencia ainda mais sua distorção de caráter.

Tem outro que consiga usar o câmbio “seco” desse Rolls-Royce? O Senna não conseguiria…
Pra mim, que cresci vendo suas corridas. A primeira vez que eu fui ao autódromo de Jacarepaguá foi para eu assistir o grande prêmio do Brasil, que você ganhou. Ainda tenho o ticket. Gostaria muito que autografasse ele pra mim. Obrigado
Wallace Baracho (Rio de Janeiro)