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Briga de agentes nos bastidores do Corinthians explicita ‘contrato-escravo’ de Gustavo Mosquito com Fernando Garcia

Mosquito e Fernando Garcia

O agente Fernando Garcia, desde a posse de Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves na presidência do Corinthians, desceu uma colocação no ranking de negociadores preferenciais do clube alvinegro.

A disputa, por óbvio, é travada no campo financeiro.

Na atualidade, e, desde os tempos de MSI, o ‘campeão’ é Kia Joorabchian, através do preposto Giuliano Bertolucci, seguido por Carlos Leite (a quem Duílio entregou quase a totalidade dos negócios da Base), com Garcia agora em terceiro, quase em ritmo de boicote, sustentando-se pelos jogadores que já possui no elenco e por um ou outro negócio de ocasião.

Nesse contexto, dois dos intermediários entraram em conflito.

Por ação de Duílio, o jogador Gustavo Mosquito, que chegou ao Corinthians através de Fernando Garcia, pouco antes de receber expressivo bônus de R$ 4 milhões, rompeu com o agente e assinou contrato com Carlos Leite.

O ‘roubo’ de mercadoria, e do dinheiro, foi parar na Justiça.

Sem poder questionar o rompimento (o contrato expirou após dois anos), Garcia está cobrando quase R$ 250 mil do atleta numa ação embasada em documentos estranhos que acabam, mais do que comprovando qualquer pendência, explicando métodos de cooptação e dependência (psicológica e financeira) do jogador, que serviriam de inspiração aos mais afamados filmes de Copolla.


Cooptação

No dia 19 de outubro de 2017, quando Gustavo Mosquito, aos 19 anos, pertencia aos juniores do Coritiba, o agente Fernando Garcia, através de sua Elenko Sports, gastou quantia próxima dos R$ 50 mil, boa parte pagos à empresa ‘Barros & Vallada’, especialista em assessoria de dupla-cidadania, para que facilitasse a obtenção de passaporte italiano do atleta.

Quatro dias depois, Garcia obrigou o jogador a assinar um contrato de empréstimo do mesmo valor gasto para confecção da documentação.

A clausula nº 1.1 é esclarecedora:

“O valor somente deverá ser restituído à Mutuante (Elenko Sports), sem juros, exclusivamente caso o Mutuário (Gustavo Mosquito) abdicar de conservar um ‘Contrato de Representação de Atleta Profissional de Futebol’ nos padrões dos Regulamentos vigente da FIFA e da CBF com o Mutuante (Elenko)”

Explicita-se o ‘modus-operandis’ da cooptação.

O agente fornece dinheiro como ‘isca’ e amarra o beneficiado sob ameaça de cobrar a dívida, até então apresentada como ‘doação’, se o vínculo comercial entre as partes for rompido.

Quase um acordo de escravidão.

O objetivo, claro, era o de que preparar Mosquito para facilitar possível negociação à Europa após exposição na ‘vitrine’ Corinthians, à época o mais relevante quintal de Fernando Garcia.

Com as tratativas de cidadania encaminhadas e a contratação pelo Timão apalavrada, novo acordo foi firmado entre as partes.

Em 06 de fevereiro do mesmo ano, Mosquito passou a receber R$ 20 mil mensais de Garcia, sob a condição de permanecer vinculado ao Coritiba até o término de seu contrato, oito meses depois.

Com essa manobra, o agente conseguia segurar o jogador.

Para dar formalidade ao acordo, Garcia e Mosquito assinaram outro documento de empréstimo, no valor de R$ 180 mil, repetindo a cláusula da não necessidade de quitação mediante aceitação de agenciamento ‘eterno’, inserindo a necessidade de permanência de vínculo no Coritiba – utilizado como ‘barriga de aluguel’.

Em abril de 2018, Mosquito viajou à Itália, com despesas pagas pela ‘Elenko’, já incluídas no orçamento original (do primeiro acordo de mutuo), e conseguiu o passaporte europeu:


Andres Sanches, Guilherme Miranda e Fernando Garcia

Na vitrine do Corinthians

Em maio de 2018, um mês depois de retornar da Europa, com a dupla cidadania conquistada, Gustavo Mosquito assinou pré-contrato com o Corinthians.

Pouco após, em outubro, a contratação foi formalizada pelo Timão.

Por conta da necessidade de aguardar a abertura da janela de transferência, Mosquito somente foi inscrito na CBF em janeiro de 2019.

Além dos dois contratos de mútuo assinados, para disfarçar aportes prévios de dinheiro de Fernando Garcia, Mosquito, em 29 de abril de 2019, formalizou o vínculo de agenciamento com a Elenko Sports, destinando 10% de todos os seus ganhos ao intermediário.

Com esse procedimento, o empresário passou a ganhar comissão não apenas do clube, mas também do atleta.


Carlos Leite

Rompimento

Após assumir a presidência do Corinthians, Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, por questões econômicas, decidiu que o empresário Carlos Leite deveria ser privilegiado pelos jogadores que quisessem permanecer prestigiados pelo clube.

Gustavo Mosquito entendeu o recado.

Em abril de 2021, venceu o prazo de renovação do contrato que o atleta mantinha com Fernando Garcia.

A data coincidiu com clausula que previa pagamento de R$ 4 milhões ao jogador se completasse, no mínimo, 60 jogos pelo Corinthians.

Antes disso, Mosquito amarrou-se em acordo com Carlos Leite, através da empresa BEC Consultoria Esportiva Ltda, CNPJ do nome fantasia ‘Carlos Leite Sports’, que já consta, inclusive, no sistema da CBF.

Essa comissão, portanto, foi retirada de Garcia, assim como os negócios futuros envolvendo o jogador.


Processo

Por conta da ‘afronta’, e, obviamente, do prejuízo, Fernando Garcia, no início de agosto, ingressou na justiça para executar os contratos de mútuo (empréstimos) assinados por Gustavo Mosquito.

Em valores atualizados:

  • R$ 57.751,03 do primeiro acordo
  • R$ 189.500,11 do segundo acordo

Total: R$ 247.251,14.

Despesa que, provavelmente, será absorvida por Carlos Leite, que, além de já ter lucrado com o bônus retirado de Garcia, seguirá recebendo, e dividindo, os valores futuros dos contratos do atacante.

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