A várzea de Gabigol

Ontem, durante a derrota do Flamengo para o Internacional, Gabigol deu mostras, novamente, do porque segue fracassando na Seleção Brasileira – quando convocado – e nunca é lembrado como opção para equipes relevantes do Planeta.
Em determinado momento, advertido com cartão amarelo, aplaudiu a punição de maneira irônica, recebendo, na sequência, o vermelho.
Após prejudicar seu clube e os companheiros, em vez de ‘mea-culpa’, saiu do gramado sorrindo e declarou:
“Isso é uma piada. Por isso o futebol brasileiro é isso. Futebol brasileiro é essa várzea mesmo. Essa várzea”
Quase uma confissão.
Somente num sistema varzeano de gestão futebolística, como é o do Flamengo, capaz de contratar um treinador que repudia o estudo da própria profissão, além de negacionista convicto, Gabigol poderia ter a fama que possui.
Daqui uma ou duas janelas de transferências, quando o ótimo elenco rubronegro se desfizer e o atacante, novamente, se ver rodeado de jogadores semelhantes aos das demais agremiações, a realidade, de sua superdimensionada avaliação como jogador, virá à tona.
O acaso esportivo de uma má-gestão conseguir montar uma improvável grande equipe, apesar da falta de planejamento, e, nesse contexto, um atleta mediano se consagrar como se fosse muito mais do que, efetivamente, é, somente é possível, em esportes coletivos, no futebol.
Esse ‘raio’ caiu no Flamengo, assim como, noutros períodos, esteve no Corinthians de Andres Sanches, no Vasco de Eurico Miranda e noutros clubes de relevância histórica.
A realidade do ‘grande jogador’ Gabigol é a de ocupar o banco de reservas numa Seleção Brasileira medíocre, como a que perdeu a Copa América, ou a da rejeição de mercados que já se iludiram com o marketing em seu entorno e acordaram após duro período de convivência.
Fato é que a ‘várzea’, criticada pelo atacante, foi a que retirou-lhe do ostracismo semi-depressivo para um curto período de glórias, capaz de, por conta de exageros da mídia, resolver sua vida financeira e retomar a empáfia típica dos que merecem muitos menos do que possuem.
