Rogério Caboclo, Fernando França e o assédio moral na CBF

Em 2013, o Blog do Paulinho apresentou ao Brasil a figura de Fernando França, oficialmente operador de TI, mas, em verdade, com funções bem mais amplas à serviço, sempre, de Marco Polo Del Nero.
A dupla se uniu na FPF e segue na CBF, apesar de apenas um deles poder ostentar cargo.
Durante a semana, França, muito provavelmente ‘a pedido’, acusou, formalmente, o presidente afastado Rogério Caboclo de ‘assédio moral’, garantindo ter recebido o pedido de rastrear emails e o celular da mulher que apontou o cartola como assediador sexual.
Disse também ter sido ofendido com palavrões.
É possível que tudo seja verdade.
Porém, por que Caboclo pediria a França um serviço tão específico de espionagem?
Eis o ponto.
França seria responsável, segundo relatos de diversos cartolas de Federações – colhidos à época pelo blog – de obrigar as entidades a adotarem um sistema que, segundo as denúncias, teria implementado uma espécie de ‘grampo’ coletivo de todos eles, para que informações fossem enviadas, diretamente, a Marco Polo Del Nero.
O ex-Presidente, mas que ainda manda na CBF – razão, provável, da iniciativa de França em denunciar Caboclo -, à mesma época, foi detido pela Polícia Federal, acusado de grampear adversários, admitindo, porém, tê-lo feito ‘apenas’ com uma de suas namoradas eventuais.
A empresa utilizada por França para fornecer serviços a seus contratantes é a ‘T2M Tecnologia e Serviços Ltda’, criada em 2011.
Além de FPF e CBF, ela é responsável por cuidar dos sistemas operacionais do Sindiclubes – em que o parceiro de Del Nero mantém cargo – e do SAFESP (Sindicato de Árbitros do Estado de São Paulo), que seriam, em caso de confirmação de atos de espionagem, absolutamente estratégicos para quem, supostamente, estivesse em poder das informações.

Outro cliente da T2M é o desconhecido Clube Tremembé, na Zona Norte de São Paulo, que tem, por “coincidência”, como Presidente, o Coronel Marcos Cabral Marinho de Moura, absolutamente ligado à cartolagem da Casa Bandida.
Não existem virgens na CBF.
Os que circulam o poder, quando não ativos, omitem-se ao esbarrarem com situações que deveriam ser combatidas.
França nunca denunciou Marin, Del Nero, Ricardo Teixeira e nem mesmo Caboclo, somente estimulando-se a fazê-lo, coincidentemente, no período em que o suposto ‘dono’ de seus atos sentiu-se afrontado.
