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Clubes brasileiros parecem perto da libertação; seguirão adiante?

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

Momento é mais do que propício para a tardia criação da Liga

De surpresa, numa articulação a jato, embora gestada há mais de três décadas, 19 clubes da Série A comunicaram à CBF que chegou a hora da alforria. O clube ausente foi o Sport, sem presidente, como a CBF, que tem um só como adorno, o soez coronel Nunes.

Exatamente por isso, diante de mais um escândalo, agora além de financeiro também sexual, aproveitando o momento de fragilidade e de total esculhambação, o edifício que se chamava José Maria Marin, rebatizado de a “Casa do Futebol Brasileiro”, na verdade o barraco, ruiu como castelo de areia —e podre.

Sim, caiu de podre, ainda exalando o mau cheiro deixado pelo quarteto Teixeira$Marin$Nero$Caboclo.

A Liga que teve tudo para nascer em 1987 com a fundação do Clube dos 13, sabotado no ano seguinte por acordo espúrio e, em 2011, implodido pela traição velhaca do presidente do Corinthians, Andrés Sánchez, dá outra vez o ar de sua graça.

Se será para valer, os próximos capítulos dirão e sempre é bom desconfiar, mais ou menos assim como esperar atitudes dignas dos jogadores da seleção brasileira, não das jogadoras, bem entendido.

O momento é mais que propício, até pela perspectiva da aprovação da lei da SAF, a Sociedade Anônima do Futebol, já aprovada no Senado Federal quase nos termos propostos pelo seu presidente, o senador mineiro Rodrigo Pacheco.

Será, aliás, profunda ironia se, exatamente no momento em que o Brasil atravessa um dos períodos mais sombrios da história, a luz vier do futebol.

Porque no primeiro mundo do futebol só o Brasil não tem a Liga de clubes, passo necessário para assumir o controle dos campeonatos e deixar à entidade nacional apenas a seleção. Mais: para exigir que a seleção não seja empecilho ao progresso dos clubes, para impor que em datas Fifa os torneios parem e, além do mais, como na carta de alforria entregue à Casa Bandida, as eleições se deem em igualdade de condições, sem a hegemonia das capitanias hereditárias, isto é, as jabuticabas chamadas de federações estaduais.

Momento de adequar o calendário brasileiro ao mundial e aproveitar o fim da hegemonia de plataforma única de transmissão de jogos como, aliás, previa, antes de ser implodido, o projeto do Clube dos 13 feito pelo ex-dirigente são-paulino Ataíde Gil Guerreiro.

É tudo de obviedade tamanha que custa crer que aconteça só agora, por causa de cartola assediador e perdulário, capaz de comprar avião de 71 milhões de reais para aventuras aéreas sabe-se lá com quem.

Tudo aconteceu tão sigilosa e repentinamente que parece mentira, gota que transbordou no copo cheio de fel, incompetência e corrupção.

A hora é de acreditar duvidando, de incentivar novos passos sem esquecer quantas vezes andou-se para trás, de esperar que, enfim, os clubes deixem para concorrer nos gramados, mas remem na mesma direção quando à mesa.

Os exemplos são tantos que basta um, o da NBA, para mostrar o caminho, com as diferenças culturais necessariamente obedecidas, como a necessidade do acesso e do descenso etc.

A necessidade da maioria endividada pode ter sido a mãe da providência, além da já citada indecência vivida na Barra da Tijuca pelos paulistas deslumbrados que tomaram a CBF de assalto para fazer dela lupanar particular no encanto da Cidade Maravilhosa.

​O Rio de Janeiro é uma armadilha para os botinudos. Enforcaram-se com os cadarços.

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