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Ponderações necessárias sobre o protesto das ‘organizadas’ contra as ‘ratazanas’ do Corinthians

No próximo sábado (19), sem dar bola para a pandemia do Covid-19, as seis mais relevantes torcidas ‘organizadas’ do Corinthians estarão às portas do Parque São Jorge para protestarem, espera-se, sem violência, contra ‘o fim das ratazanas’ do Corinthians.

São quatorze anos de atraso, mas nunca é tarde para reconhecer os erros.

As ‘organizadas’ do Corinthians não podem esconder – e deveriam se desculpar por isso – que o caos reinante no clube somente perdurou porque os ladrões do alvinegro mantiveram, sob as mais diversas maneiras de cooptação – entre as quais fornecimento de ingressos, cargos e dinheiro -, o apoio dos que agora se levantam contra a gestão.

Isso posto, passamos à análise dos itens listados na convocação de torcedores.

Protestar contra:

  • a má-gestão financeira dos últimos anos, que deixou o Corinthians à beira da falência;

O principal responsável pelo problema é o ex-diretor de finanças Raul Corrêa da Silva, que é fundador da ‘Camisa 12’ – uma das que protestam – e dela teve apoio irrestrito, através de intermediação do ex-presidente da facção, Claudio ‘Vila Maria’ Romero, inclusive quando as lambanças já eram conhecidas de todos, entre as quais os relatórios financeiros, tratados como fraudados pelo diretor posterior, e as assinaturas em TODOS os contratos do estádio de Itaquera, comprovadamente lesivos ao clube, além de investigados sob acusações diversas de corrupção.

  • a perpetuação no poder do grupo Renovação e Transparência;

O grupo ‘Renovação e Transparência’, inclusive nas recentes eleições, contou com o apoio, se não explícito, institucional dos Gaviões da Fiel, que tiveram, segundo o próprio presidente eleito, uma dívida próxima dos R$ 500 mil perdoada pelo clube, entre outras benesses ao longo de mais de uma década.

  • a oposição ridícula do Corinthians, que muda de lado toda hora e foi incapaz de deixar a vaidade de lado para apresentar um projeto sério para o clube;

Concordamos, com as devidas ponderações.

Existem no clube opositores – de fato em número reduzido – que nunca mudaram de lado e não merecem ser integrados no mesmo balaio de gato dos que agiram, explicitamente, em benefício pessoal ou de interesses escusos de terceiros.

Os demais merecem todo o repúdio.

Por outro lado, as ‘organizadas’ permaneceram, durante mais de uma década, ao lado do grupo chefiado por Andres Sanches e sempre que ameaçavam romper o ‘laço’ eram ‘re-convencidas’ a apoia-los.

  • os 130 conselheiros que jogaram contra o Corinthians pela aprovação das vergonhosas contas;

Concordamos em gênero, número e grau

  • nossa diretoria de futebol, incapaz de montar um time competitivo e que vem apresentando resultados pífios há muito tempo;

É estranho que as ‘organizadas’ delimitem, ao menos na convocação aos torcedores, ao citar o departamento de futebol, apenas os resultados dentro de campo.

O Corinthians, há 14 anos, mantém uma alternância de cargos entre as mesmas pessoas, ora como gestores de futebol, por vezes na cadeira presidencial.

Impossível pedir a saída de Roberto Andrade sem conectá-la com a do presidente Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves e a de seu ‘chefe’, Andres Sanches.

São todos partes de um mesmo sistema, implementado para beneficiá-los e aos que deles se cercam.

Alguém é capaz de apontar, claramente, do que sobrevivem os três nomes citados?

Sanches e Duílio, há anos, estão com as contas e bens bloqueadas e, apesar disso, ostentam riqueza, ampliada justamente no período em que serviram ao clube, oficialmente, sem remuneração.

Andrade foi mandado embora da empresa em que trabalhava sob acusação de roubo.

O delegado Mario Gobbi, que, por ação ou omissão, permitiu que tudo ocorresse, também precisa ser lembrado, apesar dele, diferentemente dos demais, conseguir apontar a origem, ao menos em parte, de seus vencimentos.

Tudo o que tem acontecido no departamento de futebol é reflexo da política de promiscuidade com agentes de jogadores, aprovada e colocada em prática pelos cartolas citados.


Conclusão

É lícito que as ‘organizadas’ se unam para exercer a democracia nesse momento em que o Corinthians caminha, tudo indica, para vexame semelhante ao ocorrido em 2007 – sob a presidência de Andres Sanches, mas um ‘mea-culpa’ desse grupo, responsável, também, por ajudar as ‘ratazanas’ apontadas no protesto, seria muito importante para restabelecer a credibilidade e a confiança de que o evento, em vez de nova chantagem por benesses, de fato, objetiva mudanças relevantes no Parque São Jorge.

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