As ‘prioridades’ do Corinthians

Ontem (13), inexplicavelmente – pelo menos até o final dessa postagem -, o Corinthians, que precisava vencer o Peñarol, no Uruguai, para se manter com chances de classificação na copa Sulamericana, enviou um time alternativo e passou vexame ao ser eliminado com goleada de quatro a zero, que bem poderia ter sido o dobro da contagem.
A explicação de priorizar o Paulistinha, por razões óbvias, não convence.
Não fosse um ato de acerto com agentes de jogadores, como explicaremos a seguir, seria enorme atestado de incompetência, apesar de, em ambos os casos, tratar-se de atentado ao clube.
Explico: enquanto o vencedor do Paulistinha seguirá apenas sendo campeão da insignificância, sem classificações para torneios mais robustos, Campeão e Vice da Sulamericana estão cotados, pelos próximos anos, a serem inseridos no novo formato de Mundial de Clubes da FIFA, que terá 24 equipes classificadas.
Ou seja, o Corinthians, se confirmado o método de qualificação, além de ter jogado no lixo a possibilidade de mais um título sulamericano, que, apesar de inferior à Libertadores, possui bem mais relevância que um Estadual, pode ter perdido a chance de, em se esforçando no gramado, abrir as portas para possibilidade de qualificação a um torneio global.
Sem contar que a premiação pelo título seria de R$ 36 milhões (somadas as quantias recebidas ao longo do campeonato), muito bem vindos a um clube que sequer mantém fluxo de caixa para as trivialidades.
Em contrapartida, o Campeão Paulista embolsará apenas R$ 3,5 milhões, menos de 10% do que será pago pela CONMEBOL.
Tudo isso ocorreu porque os verdadeiros donos dos atletas que jogam no Corinthians pressionaram a diretoria, que tem um presidente aliado de todos eles, para que suas mercadorias fossem expostas na Rede Globo (que transmite o Paulistinha) e não na TV Fechada.
A ideia era a de que a possibilidade de título regional seria mais plausível e os jogadores, em vencendo, seriam tratados como ‘ídolos’ pelo tempo suficiente à valorização para a próxima janela de negociações.
Na Sulamericana, a chance disso ocorrer, na avaliação dos ‘proprietários’, seria bem menor; assim como será, da mesma forma, no Brasileirão.
Com relação ao dinheiro, nitidamente a prioridade foi dada ao que pode ser embolsado por terceiros, quartos e quintos, não, necessariamente, ao que adentraria nas contas do Corinthians.
