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Após reprovação histórica das contas de Andres Sanches, Corinthians precisa ter coragem para dar os próximos passos

Após quatorze anos de triunfos políticos – os recentes cada vez mais apertados, Andres Sanches, ex-presidente do Corinthians, sofreu dura derrota em histórica reunião do Conselho Deliberativo, que reprovou as contas de sua gestão, em 2019, por 132 votos a 130.

O resultado se deu em meio a grande mobilização oposicionista, focada em esclarecer a necessidade de se contrapor às gritantes imoralidades do balanço, sob pena de prejudicar o clube no parcelamento de dívidas no PROFUT, e também em ensinar os conselheiros menos familiarizados com a informática a utilizarem o sistema online de reunião e votação.

Houve também – o que demonstra ainda mais o desprestígio e perda de poder de Sanches, eleitores trocando de lado, os mesmos que, no período de bonança, apoiariam qualquer barbaridade do ex-presidente.

Em contrapartida, na mesma reunião, aprovou-se a contabilidade de 2020, num contrassenso justificável apenas pelos minutos que separaram as votações, suficientes para ‘convencimentos’ que acabaram, inclusive, por diminuir o número de votantes.

130 a 124.

254 eleitores contra os 262 da primeira apuração.

Existe ainda, não por questões políticas, mas para ratificar a integralidade do cumprimento da legislação vigente – evitando que o Corinthians seja penalizado pelos desmandos de seus gestores, a obrigatoriedade de punir os cartolas responsáveis pelas falcatruas – agora comprovadas.

Diz o art. 23 da APFUT – agencia que administra o PROFUT – em sua letra ‘a’, quando trata do comportamento necessário das agremiações para que não sejam punidas pelos malfeitos de seus administradores:


“A Apfut poderá deixar de realizar a comunicação a que se refere o inciso IV do caput do art. 22 desta Lei, caso:

I – a entidade desportiva profissional, quando cabível:

a) adote mecanismos de responsabilização pessoal dos dirigentes e membros de conselho que tiverem dado causa às irregularidades; e

b) regularize a situação que tenha motivado a advertência;

II – a entidade de administração do desporto ou liga aplique a sanção prevista na alínea b do inciso V do caput do art. 5º.


Ou seja, além de reprovar as contas – como ocorreu, o clube é OBRIGADO a responsabilizar, pessoalmente, os responsáveis pelas irregularidades.

Em tese, no mínimo, o presidente à época, Andres Sanches, seus vices, Alexandre Husni e Edna Murad, além do diretor de finanças, Matias Ávila – embora saiba-se que existam outros mais.

O desespero de Husni, que atualmente preside o Conselho Deliberativo, mas que antes de ser vice-presidente do Timão foi réu confesso em compra de sentença de juiz, diante dessa possibilidade, pode ser conferido no lamentável vídeo a seguir, gravado pouco depois da reprovação:

No Corinthians, o ‘julgamento’ dos infratores seria realizado pela ‘Comissão de Ética e Disciplina’.

O órgão é presidido por André Negão, aliado histórico de Sanches, a ponto de, recentemente, ter exercido cargo de Chefe de Gabinete de quando o cartola era parlamentar.

Está posta a evidente suspeição.

Diz o art. 28 do Estatuto do Corinthians, em sua letra ‘E’:

“É passível de pena de desligamento o associado que ‘denegrir a imagem do clube'”

No art. 106, que trata sobre a punição de administradores infratores, destacamos as letras ‘b’, ‘c’, ‘d’, ‘e’ e também o ‘Parágrafo Único’:

“São motivos para requerer a destituição dos administradores (Presidente e de seus Vices-Presidentes):”

“Ter ele acarretado, por ação ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Corinthians”

“Não terem sido aprovadas as contas de sua gestão”

“Ter ele infringido, por ação ou omissão, expressa norma estatutária”

“Prática de ato de gestão irregular ou temerária”

“O administrador que tenha praticado ato de gestão irregular ou temerária será imediatamente afastado, após decisão da Assembleia Geral, e ficará inelegível por dez anos”

Por conta de conhecida manobra de atraso da votação das contas de 2019, com a conivência de Antonio Goulart, ex-presidente do Conselho, Sanches, já fora do cargo, não poderá sofrer impeachment, porém os demais efeitos punitivos, como o desligamento previsto no art. 28, e a inelegibilidade, são perfeitamente cabíveis.

Existe ainda, no art. 110, Parágrafo 1º, a seguinte orientação:

“Os membros da Diretoria não respondem, pessoalmente, pelas obrigações que contraírem em nome do Corinthians na prática de ato irregular de sua gestão, mas assumem essa responsabilidade pelo prejuízo que causarem em virtude de infração de Lei ou deste Estatuto”

São claros os caminhos no Estatuto do Corinthians para punição dos responsáveis pelas comprovadas irregularidades contidas nas contas da gestão de 2019.

Tanto o resultado da reprovação das contas do clube quanto as medidas adotadas para correção dos procedimentos e, principalmente, responsabilização dos cartolas, serão analisadas pela APFUT.

Todas as medidas, sem exceção, precisam ser adotadas.

Se houver omissão do Conselho de Ética e Disciplina, esgotadas todas as possibilidades no âmbito interno alvinegro, será OBRIGAÇÃO dos conselheiros motivarem o poder judiciário para que as providência cabíveis sejam adotadas.

O Corinthians, desde ontem à noite, tem uma decisão importante a ser tomada: salvar as finanças do clube, evitando a perda dos privilégios do PROFUT, ou o pescoço dos dirigentes que colocaram-no nessa triste situação.

Os verdadeiros corinthianos, aqueles que vivem para o clube, não do clube, sequer precisariam pensar para escolher a alternativa correta.

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2 comentários sobre “Após reprovação histórica das contas de Andres Sanches, Corinthians precisa ter coragem para dar os próximos passos

  1. Ulisses

    tomara que o corinthians si live desse cancer que andres não venha o neto para presidente

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