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Balanço do Corinthians revela dívida de quase R$ 1 bilhão e patrocínio master bem menor do que o anunciado

Hypera Pharma pagará R$ 17,3 milhões anuais ao Timão, não os R$ 20 milhões anunciados


O Balanço Financeiro do Corinthians, referente ao exercício 2020, com déficit de R$ 123,3 milhões, é tão assustador quanto o de 2019, que sequer foi avaliado ainda pelo Conselho Deliberativo, apesar de estarmos quase no quarto mês de 2021.

A auditoria, apesar do equívoco do trabalho anterior (2019), que levou o Conselho Fiscal a mudar o parecer para reprovação, segue a cargo de Luis Claudio Fontes, da RSM, ligado a Raul Corrêa da Silva, ex-financeiro do clube.

É de quase R$ 1 bilhão a dívida do Corinthians – sem contar as contas do estádio de Itaquera, que aproximam-se de números semelhantes.

Precisamente: R$ 956,9 milhões (até dezembro de 2020).

Em síntese, o Timão tem R$ 1,2 bilhão para pagar, mas somente R$ 333 mil a receber.

No item ‘passivo circulante’, ou seja, contas que devem ser quitadas, no máximo, em doze meses, observa-se os seguintes problemas:

  • empréstimos e financiamentos: aumentou de R$ 59,7 milhões para R$ 75,8 milhões;

Fagner, Carlos Leite e Gil

Destes, R$ 19,8 milhões foram tomados de agentes de jogadores.

O clube devia, em 2019, R$ 7,3 milhões para Giuliano Bertolucci (sócio de Kia Joorabchian); agora deve R$ 9,5 milhões, com juros de 1,5% ao mês;

Carlos Leite emprestou R$ 6,6 milhões ao Timão em 2019; agora tem R$ 7,7 milhões a receber, com juros de quase 2% ao mês (1,94%);

R$ 300 mil são devidos a Denis Maldelbaum, obscuro empresário do inexpressivo Joel, que emprestou dinheiro sem juros para ver seu atleta carimbar o currículo como jogador do Corinthians e depois desaparecer;

A ‘novidade’ é o empréstimo do suspeitíssimo empresário André Cury, ligado, entre diversos negócios, aos escândalos recentes que levaram presidentes do Barcelona, quando não à prisão, a indiciamentos criminais.

R$ 2,2 milhões a 0,64% ao mês.

Outro que levou vantagem foi o BMG, que patrocina o clube, negocia jogadores e também empresta dinheiro.

O afamado ‘banco do mensalão’ cedeu R$ 19,8 milhões ao Corinthians em 2019; um ano depois, o balanço apresenta dívida alvinegra na casa dos R$ 33 milhões, com a cobrança de 1,3% de juros.

  • dívidas com fornecedores: aumentou de R$ 114,7 milhões para R$ 217 milhões;
  • direitos de imagem (complemento salarial de jogadores): aumentou de R$ 48,4 milhões para R$ 121,4 milhões;
  • tributos parcelados: aumentou de R$ 11 milhões para R$ 22,2 milhões

Nas contas a serem quitadas com prazo mais alongado, ou seja, superior a doze meses, destacamos:

  • tributos parcelados: aumentou de R$ 211,9 milhões para R$ 304 milhões

É escandaloso o aumento do item ‘custos com vendas e aquisições de atletas’, obviamente, pagamento de comissões a intermediários de jogadores.

Em 2019, foram gastos R$ 10,6 milhões, enquanto em 2020: R$ 63,1 milhões.

Trata-se de equívoco apontar o COVID-19 como determinante para o caos financeiro, conforme o próprio balanço revela, nos seguintes itens:

  • direitos de transmissão: a perda, apesar da severa diminuição de partidas transmitidas, foi de R$ 18,8 milhões, diante de R$ 188,9 milhões recebidos em 2019, contra R$ 160,1 milhões em 2020 (porém, nas notas explicativas, existe a justificativa de que a Globo postergou o pagamento de 20% do montante para 2021, o que deverá equilibrar a quantia);
  • patrocínios e publicidade mantiveram-se nos índices que já eram ruins anteriormente: de R$ 73,2 milhões em 2019, para R$ 71,1 milhões em 2020.

Junior (Hypera Pharma)

Numa das ‘notas explicativas’, Item 22, em ‘eventos subsequentes’, é revelado que o patrocínio master da Hypera, na camisa do Timão, ficou acertado em exatos R$ 84 milhões pelo período de 58 meses, o que implica em dizer que a média anual do contrato é de R$ 17,3 milhões, abaixo dos R$ 20 milhões apresentados pelo clube à imprensa.

O Corinthians é a única agremiação que não pode chorar a gigantesca redução na arrecadação de bilheteria, dos R$ 63,2 milhões de 2019, para apenas R$ 7,3 milhões de 2020, porque todo o dinheiro entra também no item ‘despesas’, por, obrigatoriamente, precisar ser destinado ao Arena Fundo FII, responsável pela gestão da dívida com o estádio de Itaquera.

Ou seja, impacto zero no dia a dia alvinegro.

Estranho é, porém, que dos R$ 7,3 milhões arrecadados, conste no balanço o repasse de apenas R$ 3,6 milhões ao Fundo.

No déficit do Corinthians, de R$ 123,3 milhões, é atribuída responsabilidade quase igual para futebol e clube social:

  • R$ 61,7 milhões (futebol);
  • R$ 61,6 milhões (clube)

Não fosse o item ‘repasses de direitos federativos (turbinado pela venda do jogador Pedrinho para o Benfica)’, com entrada discriminada de R$ 189,2 milhões, e o resultado seria ainda mais terrível.

Chamam a atenção, também, afirmações inseridas nas ‘notas explicativas’:

Selecionamos algumas:

  • Item 1 – contexto operacional:

“(…) o clube logrou finalizar a negociação, em 01/09/2020, da cessão dos direitos de uso de propriedade da Arena para a nomeação da propriedade com o nome do patrocinador (“naming rigths”) quando então a propriedade passa a se chamar Neo Química Arena.”

(nota do blog: o contrato somente foi aprovado pelo Fundo em reunião datada do mês de novembro; não existe comprovação de aprovação nas Assembleias da Hypera Pharma, nem indicação de pagamento das parcelas tanto no balanço da empresa quanto de recebimento no do Fundo)

  • Intangível

Nesse item o Corinthians relaciona alguns atletas, demonstrando o percentual que possui sobre os direitos econômicos de cada um deles.

Salta aos olhos o fato do clube ter adquirido R$ 226,4 milhões em jogadores, mas estar devendo ainda, destes valores, a quantia de R$ 110,3 milhões.

Destes, R$ 21,7 milhões precisam ser pagos ainda pelos 100% de Luan, que tem o custo total apontado como R$ 28,9 milhões.

Mas existem aberrações ainda mais graves.

Apenas 20% de Araos custou R$ 23,9 milhões e o Corinthians ainda deve R$ 11,9 milhões.

Abaixo, a relação completa apresentada no Balanço:

É sempre importante ressaltar que o responsável pelo Departamento de Futebol nos anos citados era o atual presidente, Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, que, tanto anteriormente quanto agora, segue facilitando interesses de Andres Sanches e seus parceiros comerciais.

Esses números foram aprovados, durante a semana, pelo CORI, apesar do balanço de 2019 ainda estar sub-judice no Conselho Deliberativo, o que demonstra, cada vez mais, que a situação do Corinthians não piora, anualmente, por acaso.


Clique no link a seguir para baixar a íntegra do Balanço Financeiro do Corinthians, com as notas da auditoria, referente ao exercício 2020:

Balanço Corinthians – 2020

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Um comentário sobre “Balanço do Corinthians revela dívida de quase R$ 1 bilhão e patrocínio master bem menor do que o anunciado

  1. MMM

    Mas se toda a arrecadação das bilheterias era destinada a abater a dívida do estádio, então durante a pandemia essa dívida deve ter aumentado. $0 de bilheteria + juros correndo…

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