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‘Naming-Rights’ do estádio de Itaquera não passou por Assembleia da Hypera, que tomou empréstimo milionário em Paraíso Fiscal

Junior (Hypera Pharma)

No dia 1º de setembro, a Hypera Pharma, em ação conjunta com o Corinthians, anunciou, em carta direcionada ao Mercado, que havia celebrado acordo com o Arena Fundo FII para aquisição dos ‘naming-rights’ do estádio de Itaquera.

No texto, divulgado pela mídia à época, passou despercebido o seguinte detalhe:

“(acordo) sujeito ao cumprimento de determinadas condições contratualmente previstas”

Não se sabe quais e se foram cumpridos esses pormenores.

É certo apenas que:

  • na data deste comunicado, não havia sequer aprovação do contrato pelo Arena Fundo, que somente ocorreu em novembro de 2020;
  • Até o presente momento, tanto no Balanço divulgado pela Hypera, quando nos Informes Mensais e Trimestrais do Fundo, desde o período em questão, inexiste menção a qualquer pagamento deste acordo, que, segundo o Corinthians e a carta divulgada seria de R$ 300 milhões, divididos em 20 parcelas anuais (R$ 15 milhões cada), a serem quitadas ao longo de 20 anos.

Ontem (05), o Blog do Paulinho vasculhou todas as atas de Assembleias, Reuniões de Diretoria e afins da Hypera, anteriores e posteriores a 1º de setembro de 2020, inclusive a mais recente, gravada em áudio, contatando que não existe aprovação da aquisição dos naming-rights do estádio de Itaquera – o assunto sequer foi colocado em pauta – em nenhuma delas.

Comportamento que contraria os procedimentos habituais da companhia, que coloca em votação assuntos de custos bem menos relevantes.

A impressão é a de que o acordo está fechado ‘de boca’, talvez até com pré-contrato, mas não sacramentado oficialmente, o que justificaria a inexistência de repasse de dinheiro ao Arena Fundo.

Apesar disso, faz seis meses que o estádio de Itaquera está sendo utilizado como ‘outdoor’ da Hypera, numa exposição que, em tese, teria o custo, até o momento, de R$ 7,5 milhões.

Esse procedimento, antecipado, infringe clausula firmada entre o Fundo e a CAIXA, intermediadora da transação de empréstimo para a construção da Arena junto ao BNDES, que, obrigatoriamente, precisa ser consultada e dar aval a qualquer negociação dos ‘naming-rights”, que terão os recursos, integralmente, destinados ao pagamento das parcelas.

A punição pela afronta ao banco é o rompimento unilateral do contrato seguido pela execução da totalidade, à vista, do valor acordado.

Por falar em dinheiro, revelamos, dias atrás, que a patrocinadora, somente no último ano, perdeu 20% de seu valor de mercado, em contraste com a possibilidade de investimento:

Principal ‘parceira’ do Corinthians perdeu quase 20% de valor em apenas um ano

Não à toa, em sua Assembleia mais recente, datada de 27 de janeiro de 2021, o Conselho de Administração da Hypera aprovou tomada de empréstimos junto ao Banco Santander, que, somados, perfazem relevantes R$ 430 milhões.

Detalhe: de maneira estranha, o acordo foi fechado com a agência bancária sediada nas Ilhas Cayman, afamado paraíso fiscal, utilizado, frequentemente, por sonegadores ou por quem precisa realizar negócios sem fiscalizações mais contundentes.

Vale sempre a pena lembrar que o afamado ‘Junior’, dono da Hypera, confessou a prática de corrupção em forma de pagamentos diversos de propinas a agentes públicos, políticos, etc, e, por conta disso, cumpre prisão domiciliar, após composição com o MP para não ser encarcerado em Regime Fechado.

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