O último latido de Marcio Guedes

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1.ação de latir, de ladrar.
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2.FIGURADO (SENTIDO)•FIGURADAMENTEvoz interior que traduz um sentimento; apelo, grito
Desde os tempos de TV Manchete, sempre achei Marcio Guedes um tanto quanto presunçoso, beirando a arrogância, visão apenas de quem, como telespectador, o acompanhava, pouco, à distância, até pelo fato dele comentar mais sobre os campeonatos do Rio de Janeiro e eu, torcedor do Corinthians, dar mais atenção aos acontecimentos de São Paulo.
Décadas se passaram e o jornalismo ingressou na minha vida.
Com visão mais crítica, voltei a acompanhar Marcio Guedes por conta de sua participação no ‘Linha de Passe’, da ESPN Brasil, que tinha na configuração da mesa de debates Juca Kfouri e José Trajano, a quem, desde sempre, interessei-me em assistir.
Confesso que, apesar de divergências de opiniões, passei a achá-lo mais simpático, talvez pelos comentários de cinema que trazia ao programa.
Sempre gostei da sétima arte.
Com as mudanças da ESPN Brasil, novamente distanciei-me de Marcio Guedes, até anteontem (13), quando fui surpreendido – certamente por conhecê-lo superficialmente – com sua bajulação, explícita, ao genocida que ocupa a cadeira de Presidente da República.
Senti nojo.
No dia seguinte, deparei-me com a óbvia repercussão negativa da parte séria da imprensa, inclusive de ex-colegas de Guedes, das quais concordei com praticamente todas.
Principalmente com a precisa avaliação de José Trajano:
“O jornalismo esportivo se despediu ontem de André Marques, narrador, e do vetusto comentarista Márcio Guedes, que conheço desde a infância”
“Depois de anos trabalhando juntos ou nos cruzando por aí, registro com pesar que Márcio deixa a profissão saindo pela porta dos fundos”
“Sua pusilanimidade na transmissão do jogo de ontem (aliás, quanto pagaram e quem pagou pela transmissão?) ao passar pano para o Capitão Corona dizendo com satisfação e orgulho os times pelos quais o tresloucado torce me enojou”
Hoje, o quadro ficou ainda pior.
Logo pela manhã, ao ler a Folha, deparei-me com a seguinte declaração, em meio a outras, do agora, em meu conceito, ex-jornalista em atividade:
“Cada pessoa revela o seu caráter numa hora dessa. Estou pouco me lixando, sei o que o sou, tenho 51 anos de jornalismo esportivo com comportamento ético irrepreensível. Deixe os cães ladrarem, é só isso”
Infelizmente, os únicos cães, nitidamente puxados pelas coleiras, que latiram nesse episódio, foram os que, a troca sabe-se lá do que ou talvez apenas pela concordância de atos e aproximação de princípios, protagonizaram a transmissão do jogo da Seleção Brasileira, lembrados que serão, inevitavelmente, pelos livros de história.

Vergonha alheia; o cara ficar velho e ter que lamber bota de politico é o fim da picada.