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Elogio a empresário acusado de corrupção e afago às organizadas marcaram ‘live’ de candidato a presidente do Corinthians

No mesmo dia (13) em que Mario Gobbi lançou-se, oficialmente, candidato à presidência do Corinthians, seu concorrente, Augusto Melo, também em ‘live’, expôs ideias que pretende implementar no clube se, de fato, conseguir vencer as eleições.

Em comum, ambos falaram em não ceder cargos políticos no Parque São Jorge, contratando profissionais do mercado para as funções.

Outro ponto relevante, também em comum acordo, é a implementação de compliance na gestão.

Existe, porém, evidentes diferenças entre os dois:

  • Gobbi já foi presidente e, em sua gestão, passou longe de implementar qualquer dessas promessas;
  • Mello nunca ocupou cargo de tamanha relevância do Corinthians, o que lhe concede o benefício da dúvida

Ambos, porem, aceitaram trabalhar, sem dar muita bola às falcatruas que os cercavam – cada qual no seu limite de atuação – em gestões marcadas por graves denúncias de corrupção, todas ligadas ao ex-deputado federal Andres Sanches.

Mudaram o comportamento ou adequaram-no à necessidade política?

O tempo dirá.

Certo é que somente chutaram o balde após perderem ou saírem de seus cargos no Corinthians.

Se não há, ainda, como divagar sobre detalhes de promessas de Mario Gobbi, que, até o momento, falou apenas no sentido geral do modelo de gestão, Augusto elencou, durante o citado bate-papo, medidas específicas que serão tomadas em sua governança.

Algumas delas, preocupantes.

É inadmissível, por exemplo, o elogio nominal ao agente de jogadores Marcio Zanardi, expulso do Corinthians, e também da Portuguesa, sob fortes acusações de sacanagens diversas nos bastidores da bola.

base corinthians usa
Augusto Melo (segundo da dir. para a esq.) e Zanardi (careca), em viagem ao Florida Cup

O intermediário trabalhou com Melo, quando este era diretor de Sanches, como treinador do Sub-17 alvinegro.

Matéria do ‘Globo Esporte’ comprovou que Zanardi cobrava dinheiro, através de seu próprio pai (utilizando-se do pseudônimo Carlos), de familiares para aprovar a contratação dos filhos como jogadores no Parque São Jorge.

Se à época Augusto poderia alegar ignorância, hoje, diante dos fatos expostos, não mais.

Abaixo o áudio da negociação do suborno:

Nos bastidores, comenta-se que agentes de jogadores estariam contribuindo para a campanha de Augusto Melo, que nega a informação e diz que o dinheiro de sua campanha é oriundo de recursos próprios.

Há pouco mais de um ano, porém, o candidato desembarcou no União Barbarense, indicado, justamente, por intermediários de atletas.

Augusto Melo no dia da apresentação ao Barbarense

Outro ponto controverso de suas promessas é a autorização do pagamento de comissões a “qualquer pessoa”, incluindo dirigentes do clube (foi citado o departamento de marketing), que trouxerem negócios para o Corinthians.

O procedimento é vedado pelo Estatuto.

Augusto disse também que implementará o ingresso único em jogos do Corinthians, ou seja, o torcedor pagará o mesmo valor para assistir uma partida contra a Ferroviária ou uma semifinal de Libertadores.

Falou também em retirar as cadeiras do setor sul do estádio de Itaquera (oposto de onde se localiza os Gaviões da Fiel).

Ambas as medidas, nitidamente, objetivam agradar as torcidas organizadas, ainda que em claro detrimento dos demais expectadores.

Vale lembrar, o candidato que concorre contra Gobbi e Augusto é o empresário Paulo Garcia, financiador principal da campanha de Andres Sanches ao parlamento e irmão de Fernando Garcia, agente de jogadores que é sócio do atual presidente.


NOTA OFICIAL DE AUGUSTO MELO

Quando cheguei para dirigir a categoria de base do Corinthians, o Zanardi já estava lá.

No meu comentário, em entrevista esta semana, falávamos sobre a categoria e o período em que fui dirigente e fiz apenas um elogio pela qualidade técnica dele como treinador – por ele ter conseguido fazer nomes como o Pedrinho e o Léo Santos, por exemplo, todos deram certo e são jogadores profissionais.

Em nada me referi a qualquer outra situação.

Vale lembrar que foi a gestão mais vitoriosa da base, conquistamos o Mundial Sub-17 em Madrid, a Copa do Brasil Sub -17, o Brasileiro Sub-17.

Em relação a minha passagem pelo União Barbarense, deixo claro que o convite para assumir a categoria foi feito, justamente, pelo excelente trabalho desenvolvido no Corinthians e não teve ligação nenhuma com qualquer empresário.

A minha passagem por lá, basta pesquisar, foi marcada por elogios e por ter feito uma gestão em que limpei as escolinhas de futebol e agentes que estavam dentro do clube, troquei o treinador e transformei o time.

Sobre a questão dos ingressos. A nossa gestão vai ser feita para mais de 30 milhões de corinthianos. Conforme falei na entrevista, estamos com uma equipe fazendo estudos para aumentar a capacidade da Arena e gerar mais receita. Como é de conhecimento de todos, as cadeiras do setor sul não são destinadas às torcidas organizadas, que ficam no setor norte. Nossa intenção, ainda em estudo de viabilidade, é ampliar o acesso ao estádio para mais torcedores, com a disponibilização de mais ingressos a preço acessível – quem acompanha sabe que esse é um pedido constante da nossa torcida.

Deixo claro que iremos cumprir o estatuto que rege o clube.

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