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O Bolsonaro negro

Sérgio Nascimento de Camargo

Nos momentos mais repulsivos das histórias de países que utilizaram-se da escravidão como política, desde os primórdios da existência, se fez necessário o auxílio de traidores dos oprimidos, responsáveis pelo ‘meio-campo’ entre agredidos e agressores.

Por aqui, essa gente foi apelidada ‘Capitão do Mato’.

Entre as atribuições estava delatar possíveis líderes de revoltas, e, por vezes, até açoitar gente da própria origem étnica, quase sempre em troca de confortos não permitidos aos escravizados.

Muito tempo após a promulgação da ‘Lei Áurea’, os negros brasileiros seguem lutando pela liberdade plena, tropeçando em racistas e preconceituosos diversos.

Sobreviveram, também, os canalhas.

Porém, se antes da ascensão bolsonarista os novos ‘capitães’ lambiam as botas opressoras na surdina, agora, estimulados por um regime que apoia a segregação, eles se revelaram.

O mais conhecido, até então, era o deputado Helio ‘Bolsonaro’, apesar dele, inexpressivo, limitar-se apenas a fazer figuração ao lado do ‘senhor’.

Quando muito, assinando artigos que não escreveu em jornais, ditados por seus comandantes ou votando, em sessões na Câmara, com o cabresto amarrado no quarto de empregados da Casa Grande.

Nesta semana, o quadro se agravou.

Bolsonaro indicou para a presidência da Fundação Palmares. responsável pela promoção da cultura negra, o deplorável Sérgio Nascimento de Camargo, que seria capaz de ocasionar revolta até nos ‘capitães do mato’ mais repulsivos dos séculos anteriores.

Esse sujeito, ao contrário de Helio, é bem perigoso.

Suas declarações falam por si:

“escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes”

“merece estátua, medalha e retrato em cédula o primeiro branco que meter um preto militante na cadeia por crime de racismo”

“A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”

“O movimento negro precisa ser extinto”

“sinto vergonha e asco da negrada militante”

Não apenas os movimentos negros, mas a sociedade, como um todo, sob risco de conivência com esses racistas, precisa reagir.

Se, por respeito à democracia, somos obrigados a tolerar a gestão de um tirano ligado a milicianos, mas não a compactuar com sua repulsiva política, razão dos nossos protestos, no caso do ‘Bolsonaro Negro’, a situação é bem diferente.

O Capitão Nascimento não foi eleito, como ocorreu com o submisso Hélio, e pode ser retirado do cargo.

Para que isso ocorra, a Fundação Palmares precisa ser, pacificamente, paralisada, até que seus assistidos, que são odiados pelo novo gestor, sejam respeitados e representados por alguém verdadeiramente respeitável a alinhado com as causas de quem luta, há séculos, pela igualdade de direitos.

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